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Um escritor, um poeta, um aventureiro,

Thursday, 12 May 2011

A Virgem Santíssima, Mãe da Igreja




Antes de expirar, Jesus moribundo dirige-se ao discípulo amado João, dizendo: “Eis a tua mãe” (Jo 19,26-27). Desde os mais antigos tempos, a Santíssima Virgem é venerada com o título de Mãe de Deus, recorrendo os fiéis com súplicas à sua protecção em todos os perigos e necessidades” (cf. LG 66, cf. a Oração de São Bernardo: “Lembrai-vos, o piíssima Virgem Maria que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa protecção, e implorado a vossa assistência e reclamado o vosso socorro, fosse por vós desemparado…”


Foi o Papa Paulo VI, de feliz memória, quem proclamou, no fim do Concílio Vaticano II, a Virgem Maria como Mãe da Igreja. De facto, a 21 de Novembro de 1964, Paulo VI proclamou oficialmente o título mariano de “Mãe da Igreja”. Estava-se nessa altura na conclusão da 3ª sessão do Concílio Ecuménico Vaticano II, no qual promulgou a Constituição Dogmátic,a Lumen Gentium, que traçava a doutrina conciliar sobre a Igreja e de Maria. No seu histórico discurso, dizia o Papa: “A reflexão sobre estas estreitas relações de Maria com a Igreja, tão claramente estabelecidas pela actual Constituição conciliar, faz-nos pensar ser este o momento mais solene e mais apropriado para satisfazermos um desejo que, que por Nós acenado no fim da sessão precedente, muitíssimo Padres Conciliares fizeram seu, pedindo instantemente uma declaração explícita, durante este Concílio, da função maternal que a Virgem exerce sobre o povo cristão. Para tal fim, julgamos oportuno consagrar, nesta mesma sessão pública, um título em honra da Virgem, sugerido de várias partes do orbe católico, e a Nós particularmente caro, porque em síntese admirável exprime o lugar privilegiado que este Concílio reconhece à Virgem na santa Igreja. Portanto, para glória da Virgem e para o nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima MÃE DA IGREJA, isto é, de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores que lhe chama mãe amorosíssima; e queremos que com este título suavíssimo seja a Virgem doravante ainda mais honrado e invocado por todo o povo cristão” (AAS.56, (1964), 1015).


Como sabemos, a Virgem Maria tem um único Filho, Jesus Cristo. Mas em Jesus, a maternidade de Maria estende-se a todos os homens. “Obediente ao lado do novo Adão, Jesus Cristo, a Virgem é a nova Eva, a verdadeira mãe dos vivos, que coopera com amor de mãe no seu nascimento e na sua formação na ordem da graça. Virgem e Mãe, Maria é figura da Igreja e a sua realização mais perfeita” (CIC, nº 1000),. “A Virgem Maria é Mãe da igreja na ordem da graça, porque deu à luz Jesus, o Filho de Deus, Cabeça do Corpo que é a Igreja. Jesus ao morrer na cruz, indicou como Mãe ao discípulo com estas palavras. “Eis a tua mãe”. Desde sempre a Igreja acreditou na função maternal de Maria. Na visitação à Isabel, mãe de João Baptista, esta exclamara. “ “E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?”(Lc 1, 43).


No Concílio de Éfeso, proclamou-se a Maternidade de Maria. O Papa Pio XI, para comemorar o XI centenário desse Concílio, instituiu a festa universal da maternidade da Virgem Maria. “E de facto, se o Filho da Bem-aventurada Virgem Maria é Deus, com certeza que Aquele que O gerou se deve chamar com toda a justiça Mãe de Deus; se uma só é a Pessoa de Jesus Cristo, e essa mesma divina, sem dúvida que todos a devem chamar não só Mãe de Cristo, senão ainda Mãe de Deus”.


Diante desta da dignidade da Mãe de Deus, São Bernardo exclama. “ Com toda a razão, pois, com toda a razão, ó Virgem Maria, vos representam vestida de sol, Vós que penetrastes nas altíssimas profundezas da divina Sabedoria, mais do que é possível imaginar, a ponto de ficardes imersa naquela luz inacessível, quanto podia uma criatura que não fosse Deus! Como Vos tornastes familiar, ó Senhora, como ficastes próxima, melhor direi como ficastes íntima com a Divindade! Quanta graça encontrastes junto de Deus! Ele fica convosco e vós com Ele; vós O vestis, e Dele sois vestida. Vós o vestis com a substância da carne, Ele vos veste com a gloriada sua majestade. Vestis de nuvens o Sol, e o Sol Vos veste de Luz (Sermão 12).


Neste mês de Maio, entreguemos nas mãos da Virgem Maria, a Mãe da Igreja, toda a nossa vida. Os nossos problemas, sofrimentos, doenças, preocupações! Entreguemos também a nossa vida espiritual! Os nossos desânimos, as nossas quedas e fragilidades, a nossa falta de fé, a falta de coragem em vivermos como verdadeiros cristãos. Que a virgem Mãe nos ampare, proteja, auxilie, socorra.


Nossa Senhora não abandona nunca aqueles que piedosamente lhe suplica para conservarem a fé, para deixarem a vida pecaminosa, e para singrarem na vida da santidade.


Permiti-me que vos conte o que aconteceu na ilha indonésia chamada Flores e que foi possessão de Portugal de 1560 até 1859.


Em 1562, estabeleceu naquelas ilhas uma comunidade de missionários dominicanos portugueses. Em 1640, com a queda de Malaca, os missionários, aí estabelecidos mudaram-se para Makassar (Celebes) e Larantuca (Flores, Indonésia). Nesta última localidade, um frade dominicano, fundou em 1642, uma Confraria, a de Nossa Senhora do Rosário. Com a tomada de Malaca (1641) pelos holandeses e, de Makassar (Celebes) pelos muçulmanos, os luteranos expulsaram missionários e cristãos. Muitos deles foram para Larantuca (Flores, Indonésia). Mais tarde, os holandeses tornaram a expulsar os missionários da ilha de Flores. Ficaram os cristãos, mas eles mantiveram viva a fé católica. As senhoras e os homens, membros da Confraria de Nossa Senhora do Rosário, rezavam o terço, visitavam os cristãos nos locais isolados, confortando-os na fé e na fidelidade à religião católica. Quando em 1882, um padre jesuíta, ido de Jakarta, para visitar os núcleos de cristãos, espalhados e perdidos naquelas ilhas, encontrou para surpresa sua, a Confraria de Nossa Senhora do Rosário em plena vitalidade. Os membros rezavam orações em português! Foi graças à protecção da Mãe de Deus, que os cristãos de Larantuca mantiveram a sua fé.


Por: D. Carlos Ximenes Belo

Wednesday, 4 May 2011

5 de Maio 1999 - 5 de maio 2011




5 de Maio tinan 1 ne'e halo tinan 12 momentu historiku ba povo Timor tamba iha momentu neba, iha Nova Iorke, 5 de Maio de 1999, ministru negosiu estranjeiru Portugal, Jaime Gama ho ministru negosiu estranjeiru Indonezia, Ali Alatas, assina akordu iha Sekretariu Jeral ONU, Kofi Annan nia oin hodi halo Referendum iha Timor Leste sob kontrolo Komunidadi Internasional nebe loke dalan ba Independensia Timor Leste.



Tinan 12 tiha, 1999-2011, ita assisti mudansa barak iha rai Timor, hosi aspektu hotu-hotu: politiku, ekonomiku, seluk-seluk tan.


Hanesan Timor oan nebe moris dok hosi Timor Leste, desejo deit atu Timor Leste sai espasu bo'ot ida ba ema Timor oan tomak, seja nia uluk hanesan funu nain ou traidor, seja nia uluk hosi grupu independentista ou integrasionista. Atu dezenvolvimentu nasional bele lao ba oin, Timor oan tenki servisu hamutuk.


Hanesan ema nebe gosta hakerek, desejo liberdade da expresaun iha Timor Leste.


Celso Oliveira














Monday, 2 May 2011

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI




Átrio da Basílica Vaticana
Domingo, 1° de Maio de 2011



Amados irmãos e irmãs,

Passaram já seis anos desde o dia em que nos encontrávamos nesta Praça para celebrar o funeral do Papa João Paulo II. Então, se a tristeza pela sua perda era profunda, maior ainda se revelava a sensação de que uma graça imensa envolvia Roma e o mundo inteiro: graça esta, que era como que o fruto da vida inteira do meu amado Predecessor, especialmente do seu testemunho no sofrimento. Já naquele dia sentíamos pairar o perfume da sua santidade, tendo o Povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele. Por isso, quis que a sua Causa de Beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade. E o dia esperado chegou! Chegou depressa, porque assim aprouve ao Senhor: João Paulo II é Beato!

Desejo dirigir a minha cordial saudação a todos vós que, nesta circunstância feliz, vos reunistes, tão numerosos, aqui em Roma vindos de todos os cantos do mundo: cardeais, patriarcas das Igrejas Católicas Orientais, irmãos no episcopado e no sacerdócio, delegações oficiais, embaixadores e autoridades, pessoas consagradas e fiéis leigos; esta minha saudação estende-se também a quantos estão unidos connosco através do rádio e da televisão.

Estamos no segundo domingo de Páscoa, que o Beato João Paulo II quis intitular Domingo da Divina Misericórdia. Por isso, se escolheu esta data para a presente celebração, porque o meu Predecessor, por um desígnio providencial, entregou o seu espírito a Deus justamente ao anoitecer da vigília de tal ocorrência. Além disso, hoje tem início o mês de Maio, o mês de Maria; e neste dia celebra-se também a memória de São José operário. Todos estes elementos concorrem para enriquecer a nossa oração; servem-nos de ajuda, a nós que ainda peregrinamos no tempo e no espaço; no Céu, a festa entre os Anjos e os Santos é muito diferente! E todavia Deus é um só, e um só é Cristo Senhor que, como uma ponte, une a terra e o Céu, e neste momento sentimo-lo muito perto, sentimo-nos quase participantes da liturgia celeste.

«Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29). No Evangelho de hoje, Jesus pronuncia esta bem-aventurança: a bem-aventurança da fé. Ela chama de modo particular a nossa atenção, porque estamos reunidos justamente para celebrar uma Beatificação e, mais ainda, porque o Beato hoje proclamado é um Papa, um Sucessor de Pedro, chamado a confirmar os irmãos na fé. João Paulo II é Beato pela sua forte e generosa fé apostólica. E isto traz imediatamente à memória outra bem-aventurança: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus» (Mt 16, 17). O que é que o Pai celeste revelou a Simão? Que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo. Por esta fé, Simão se torna «Pedro», rocha sobre a qual Jesus pode edificar a sua Igreja. A bem-aventurança eterna de João Paulo II, que a Igreja tem a alegria de proclamar hoje, está inteiramente contida nestas palavras de Cristo: «Feliz de ti, Simão» e «felizes os que acreditam sem terem visto». É a bem-aventurança da fé, cujo dom também João Paulo II recebeu de Deus Pai para a edificação da Igreja de Cristo.

Entretanto perpassa pelo nosso pensamento mais uma bem-aventurança que, no Evangelho, precede todas as outras. É a bem-aventurança da Virgem Maria, a Mãe do Redentor. A Ela, que acabava de conceber Jesus no seu ventre, diz Santa Isabel: «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45). A bem-aventurança da fé tem o seu modelo em Maria, pelo que a todos nos enche de alegria o facto de a beatificação de João Paulo II ter lugar no primeiro dia deste mês mariano, sob o olhar materno d’Aquela que, com a sua fé, sustentou a fé dos Apóstolos e não cessa de sustentar a fé dos seus sucessores, especialmente de quantos são chamados a sentar-se na cátedra de Pedro. Nas narrações da ressurreição de Cristo, Maria não aparece, mas a sua presença pressente-se em toda a parte: é a Mãe, a quem Jesus confiou cada um dos discípulos e toda a comunidade. De forma particular, notamos que a presença real e materna de Maria aparece assinalada por São João e São Lucas nos contextos que precedem tanto o Evangelho como a primeira Leitura de hoje: na narração da morte de Jesus, onde Maria aparece aos pés da Cruz (Jo 19, 25); e, no começo dos Actos dos Apóstolos, que a apresentam no meio dos discípulos reunidos em oração no Cenáculo (Act 1, 14).

Também a segunda Leitura de hoje nos fala da fé, e é justamente São Pedro que escreve, cheio de entusiasmo espiritual, indicando aos recém-baptizados as razões da sua esperança e da sua alegria. Apraz-me observar que nesta passagem, situada na parte inicial da sua Primeira Carta, Pedro exprime-se não no modo exortativo, mas indicativo. De facto, escreve: «Isto vos enche de alegria»; e acrescenta: «Vós amais Jesus Cristo sem O terdes conhecido, e, como n’Ele acreditais sem O verdes ainda, estais cheios de alegria indescritível e plena de glória, por irdes alcançar o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas» (1 Ped 1, 6.8-9). Está tudo no indicativo, porque existe uma nova realidade, gerada pela ressurreição de Cristo, uma realidade que nos é acessível pela fé. «Esta é uma obra admirável – diz o Salmo (118, 23) – que o Senhor realizou aos nossos olhos», os olhos da fé.

Queridos irmãos e irmãs, hoje diante dos nossos olhos brilha, na plena luz de Cristo ressuscitado, a amada e venerada figura de João Paulo II. Hoje, o seu nome junta-se à série dos Santos e Beatos que ele mesmo proclamou durante os seus quase 27 anos de pontificado, lembrando com vigor a vocação universal à medida alta da vida cristã, à santidade, como afirma a Constituição conciliar Lumem gentium sobre a Igreja. Os membros do Povo de Deus – bispos, sacerdotes, diáconos, fiéis leigos, religiosos e religiosas – todos nós estamos a caminho da Pátria celeste, tendo-nos precedido a Virgem Maria, associada de modo singular e perfeito ao mistério de Cristo e da Igreja. Karol Wojtyła, primeiro como Bispo Auxiliar e depois como Arcebispo de Cracóvia, participou no Concílio Vaticano II e bem sabia que dedicar a Maria o último capítulo da Constituição sobre a Igreja significava colocar a Mãe do Redentor como imagem e modelo de santidade para todo o cristão e para a Igreja inteira. Foi esta visão teológica que o Beato João Paulo II descobriu na sua juventude, tendo-a depois conservado e aprofundado durante toda a vida; uma visão, que se resume no ícone bíblico de Cristo crucificado com Maria ao pé da Cruz. Um ícone que se encontra no Evangelho de João (19, 25-27) e está sintetizado nas armas episcopais e, depois, papais de Karol Wojtyła: uma cruz de ouro, um «M» na parte inferior direita e o lema «Totus tuus», que corresponde à conhecida frase de São Luís Maria Grignion de Monfort, na qual Karol Wojtyła encontrou um princípio fundamental para a sua vida: «Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria – Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria» (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 266).

No seu Testamento, o novo Beato deixou escrito: «Quando, no dia 16 de Outubro de 1978, o conclave dos cardeais escolheu João Paulo II, o Card. Stefan Wyszyński, Primaz da Polónia, disse-me: “A missão do novo Papa será a de introduzir a Igreja no Terceiro Milénio”». E acrescenta: «Desejo mais uma vez agradecer ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, do qual me sinto devedor, juntamente com toda a Igreja e sobretudo o episcopado. Estou convencido de que será concedido ainda por muito tempo, às sucessivas gerações, haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos prodigalizou. Como Bispo que participou no evento conciliar, desde o primeiro ao último dia, desejo confiar este grande património a todos aqueles que são, e serão, chamados a realizá-lo. Pela minha parte, agradeço ao Pastor eterno que me permitiu servir esta grandíssima causa ao longo de todos os anos do meu pontificado». E qual é esta causa? É a mesma que João Paulo II enunciou na sua primeira Missa solene, na Praça de São Pedro, com estas palavras memoráveis: «Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!». Aquilo que o Papa recém-eleito pedia a todos, começou, ele mesmo, a fazê-lo: abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e económicos, invertendo, com a força de um gigante – força que lhe vinha de Deus –, uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade. Sintetizando ainda mais: deu-nos novamente a força de crer em Cristo, porque Cristo é o Redentor do homem – Redemptor hominis: foi este o tema da sua primeira Encíclica e o fio condutor de todas as outras.

Karol Wojtyła subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem. A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. Com esta mensagem, que é a grande herança do Concílio Vaticano II e do seu «timoneiro» – o Servo de Deus Papa Paulo VI –, João Paulo II foi o guia do Povo de Deus ao cruzar o limiar do Terceiro Milénio, que ele pôde, justamente graças a Cristo, chamar «limiar da esperança». Na verdade, através do longo caminho de preparação para o Grande Jubileu, ele conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história. Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de «advento», numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz.

Por fim, quero agradecer a Deus também a experiência de colaboração pessoal que me concedeu ter longamente com o Beato Papa João Paulo II. Se antes já tinha tido possibilidades de o conhecer e estimar, desde 1982, quando me chamou a Roma como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pude durante 23 anos permanecer junto dele crescendo sempre mais a minha veneração pela sua pessoa. O meu serviço foi sustentado pela sua profundidade espiritual, pela riqueza das suas intuições. Sempre me impressionou e edificou o exemplo da sua oração: entranhava-se no encontro com Deus, inclusive no meio das mais variadas incumbências do seu ministério. E, depois, impressionou-me o seu testemunho no sofrimento: pouco a pouco o Senhor foi-o despojando de tudo, mas permaneceu sempre uma «rocha», como Cristo o quis. A sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo, permitiu-lhe continuar a guiar a Igreja e a dar ao mundo uma mensagem ainda mais eloquente, justamente no período em que as forças físicas definhavam. Assim, realizou de maneira extraordinária a vocação de todo o sacerdote e bispo: tornar-se um só com aquele Jesus que diariamente recebe e oferece na Igreja.

Feliz és tu, amado Papa João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu – nós te pedimos – a sustentar a fé do Povo de Deus. Muitas vezes, do Palácio, tu nos abençoaste nesta Praça! Hoje nós te pedimos: Santo Padre, abençoa-nos! Amen.








Fonte: http:www.vatican.va