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Sunday, 16 October 2011

Ex-ministro do Interior Rogério Lobato é candidato às presidenciais





Isabel Marisa Serafim, da Agência Lusa

Díli, 13 out (Lusa) - O ex-ministro do Interior de Timor-Leste Rogério Lobato disse hoje à Agência Lusa em Díli que se vai candidatar às eleições presidenciais de 2012 no país.

"Sim, vou anunciar brevemente. Estamos agora na fase de constituição da comissão que irá apoiar-me nessa candidatura a Presidente da República e brevemente irei anunciá-la", disse Rogério Lobato em entrevista à Lusa.

Segundo o antigo ministro timorense, demitido em 2006 em resultado de uma crise política e de segurança em Timor-Leste, a candidatura vai ser independente, apesar de continuar a ser militante da FRETILIN (Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente).

"Eu vou candidatar-me como candidato independente numa candidatura que eu classificaria como candidatura da cidadania", afirmou, acrescentando que o anúncio formal deverá ser feito ainda este mês ou em novembro.

Rogério Lobato explicou que o que o levou a tomar a decisão foi a "responsabilidade moral por todos aqueles" que lutaram pela independência e que não chegaram ao fim, incluindo os seus familiares.

"Eu tenho uma responsabilidade moral de defender aquilo que, se eles estivessem vivos quereriam para Timor-Leste: um Timor-Leste unido, um Timor-Leste justo, um Timor-Leste solidário", disse.

Rogério Lobato é irmão de Nicolau Lobato, herói nacionalista timorense, que dá o nome ao aeroporto de Díli e à sede da Presidência timorense, e segundo Presidente do país, da FRETILIN e comandante das FALINTIL até à sua morte em combate no último dia de 1978,

Toda a família do candidato foi toda dizimada durante a ocupação indonésia.

Rogério Lobato foi condenado em 2007 a sete anos e meio de prisão por ser o autor indireto de quatro crimes de homicídio na crise de abril e maio de 2006, que culminou em confrontos armados e à queda do chefe do executivo, Mari Alkatiri, da FRETILIN, bem como dos titulares da Defesa e do Interior.

Questionado pela Lusa sobre se os acontecimentos de 2006 não vão prejudicar a sua candidatura, Rogério Lobato disse que não, apenas terá de explicar "porque as coisas aconteceram".

O tribunal também deu como provado que Rogério Lobato entregou armas a civis para eliminar militares peticionários, que desertaram das Forças Armadas abrindo o caminho para a crise, e líderes da oposição em abril e maio de 2006.

Depois de autorizado a receber tratamento médico no estrangeiro, o ex-ministro do Interior acabou por receber um indulto presidencial de José Ramos-Horta em 2008.

"Acho que o julgamento a que fui submetido foi um julgamento político, considero-me um bode expiatório de muitas coisas que aconteceram em Timor. Posso até dizer que acho injusto pessoas que foram também indigitadas pelas Nações Unidas como distribuidores de armas na altura e que deviam ser investigadas e julgadas não tivessem sido julgadas e eu fui julgado por distribuição de armas e condenado", afirmou à agência Lusa.

O ex-ministro disse também que "oportunamente" vai pedir uma revisão da sentença. "Mas vou escolher o tempo mais adequado para o fazer", disse.

Rogério Lobato, um dos protagonistas da FRETILIN em 1975 e que viveu no exílio até 1999, disse à Lusa que não ficou satisfeito pela forma como foi tratado, mas, acrescentou, a luta pela independência visava exatamente a existência de um país com as suas leis.

"Portanto, eu como cidadão sujeitei-me apenas às leis, embora não concordasse, não aceitasse a decisão do tribunal que me julgou, eu como cidadão tenho de respeitar a decisão de um órgão de soberania pelo qual também lutei pela sua existência no país", considerou o político, atual empresário no setor dos minérios na Guiné-Conacri e que anunciou para breve a construção de uma fábrica de cimento em Manatuto, Timor-Leste.

MSE.

Lusa/Fim

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