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Thursday, 7 October 2010

Quem ganhará o Nobel de Literatura?


POR EM 06/10/2010 ÀS 05:23 PM


publicado em

Cormac McCarthy e Ngugi wa Thiong’o

António Lobo Antunes, escritor português, certamente não vai ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Porque a Academia Sueca concedeu há pouco tempo o prêmio a José Saramago.

O brilhante peruano Mario Vargas Llosa, tido como liberal, tem poucas chances. Philip Roth é americano e isto, para os europeus, não é “positivo”. Roth, nos últimos anos, decidiu assumir o discurso da esquerda, mas, mesmo assim, parece não agradar os suecos. E, apesar de vituperado por judeus radicais, o autor de “O Complexo de Portnoy” é judeu. Como os notabilíssimos israelenses Amós Oz e David Grossman. Outros americanos citados como nobelizáveis: Thomas Pynchon, Joyce Carol Oates, John Ashbery, E. L. Doctorow, Don DeLillo e Gore Vidal.

O britânico Ian McEwan tem os mesmos “defeitos” e “virtudes” de Llosa: é liberal (parece que é crime ser liberal no mundo contemporâneo) e escreve muito bem. Cormac McCarthy não se interessa muito por política, é aceito por todos como escritor do primeiro time, mas, com seus romances sobre a mitologia americana cercada por certo universalismo (como o tema da violência e o choque entre valores e tempos), talvez seja, como Roth, considerado americano demais. Mas está bem cotado na “bolsa de apostas”.

O jornal espanhol “ABC” aposta na escolha do queniano Ngugi wa Thiong’o. Nomeia-o como favorito numa reportagem, mas põe Cormac McCarthy, autor do esplêndido romance “Meridiano de Sangue” — espécie de Shakespeare do Oeste americano —, como segunda opção. O diário sueco “Dagens Nyheter” aposta suas fichas no autor queniano. O jornal afirma que, como a ganhadora anterior foi uma europeia, Herta Müller, a tendência agora é que seja um escritor de outro continente.

O jornal “El Mundo” cita, além de McCarthy e Thiong’o, o poeta sueco Tomas Tranströmer. O jornal espanhol arrola também o japonês Haruki Murakami, o alemão Ulrich Holbein, a canadense Alice Munro (excelente contista) e o australiano Gerald Murnane. Há quem aposte que a Academia Ssueca vai priorizar um poeta, porque, desde 1996, quando venceu a polonesa Wislawa Szymborska, um vate não ganha o Nobel. Ao lado de Tranströmer, é citado o sírio Adonis. Na lista aparecem o coreano Ko Um, o australiano Les Murray e o argentino Juan Gelmán.

O mexicano Carlos Fuentes, os espanhóis Javier Marías e Juan Marsé, o nicaraguense Ernesto Cardenal e o paraguaio Néstor Amarilla são apresentados como azarões (menos Fuentes). Eduardo Galeano figura como zebra entre as zebras.

Outros nomes citados: os italianos Antonio Tabbucchi e Claudio Magris, o austríaco Peter Handke, o albanês Ismail Kadaré, o holandês Cees Nooteboom, o tcheco Milan Kundera, a argelina Assia Djebar e o polonês Adam Zagajewski.

“El Mundo” diz que “as listas prévias são uma tradição, mas habitualmente não têm muito êxito. Entre outras coisas, porque a Academia Sueca tem demonstrado, em sua história centenária, que é capaz de eleger nomes inesperados ou resgatar outros esquecidos, como os britânicos Harold Pinter e Doris Lessing. A Academia insiste que só premia autores, e não literaturas nem países, ainda que suas indicações pareçam ter a ver mais com questões políticas ou com critérios geográficos do que com qualidade literária”.


Fonte: http://www.revistabula.com/posts/colunistas/quem-ganhara-o-nobel-de-literatura

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