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Um escritor, um poeta, um aventureiro,

Tuesday, 30 June 2009

CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL

Academia de Ciências e Letras de Conselhero Lafayette

CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL
PRÊMIO CIDADE DE CONSELHEIRO LAFAIETE
2009

Como vem acontecendo todos os anos, ininterruptamente, desde 1994, a Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette (ACLCL) apresenta o Regulamento do Concurso Literário Internacional Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaiete 2009. O concurso é aberto à participação de todas as pessoas, maiores de 18 anos, de forma irrestrita, não apenas a acadêmicos, com trabalhos nas categorias: poema, soneto, crônica e conto.
Tal o reconhecimento do certame literário, divulgado em todos os países de língua portuguesa, por meio de suas Embaixadas e Consulados no Brasil, que a cada ano o número de inscritos vem aumentando, sejam eles escritores já consagrados ou iniciantes. Isso, aliás, tem possibilitado o reconhecimento de novos talentos, até mesmo porque os trabalhos são apresentados sob pseudônimo, proporcionando maior imparcialidade à comissão julgadora.
Muitos trabalhos premiados pelo Concurso Literário da ACLCL têm sido divulgados com sua publicação na antologia “Lafaiete em prosa e verso”. A cada edição, são publicados os três primeiros colocados de cada categoria.
Nesta edição, foram realizadas algumas mudanças, como a extinção da categoria romance e a introdução da categoria soneto. Também será cobrada uma taxa de inscrição, no valor de R$ 10,00 (dez reais) por categoria, sugerindo uma seleção prévia dos trabalhos pelos próprios autores.
Assim, dando continuidade ao trabalho voltado à língua pátria, proporcionando atividades que fomentem o interesse pela literatura, divulgando novos escritores e realçando aqueles cuja obra já os consagrou, a ACLCL apresenta o Regulamento para o concurso deste ano de 2009.

Conselheiro Lafaiete, 27 de junho de 2009.

Allex Assis Milagre
Presidente da ACLCL


CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL
PRÊMIO CIDADE DE CONSELHEIRO LAFAIETE
2009

1º - O Concurso Literário Internacional Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaiete trata-se de uma promoção da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette (ACLCL), para premiar poetas, sonetistas, cronistas e contistas, maiores de 18 anos, que inscreverem seus trabalhos nessas categorias, que serão julgados por uma comissão competente, avaliando a qualidade da produção literária dentro das regras da Língua Portuguesa.

2º - Os trabalhos inscritos deverão ser INÉDITOS, ou seja, não publicados em livros, revistas, jornais e nem divulgados pela Internet.

3º - São quatro as categorias e gêneros dos trabalhos concorrentes: poema (clássico, moderno ou conjunto de trovas), soneto, crônica e conto, com tema livre e sem limite de espaço.

4º - Os trabalhos classificados em primeiro lugar serão premiados com troféu e certificado de participação; os classificados em segundo e terceiro lugares com medalhas de Honra ao Mérito e certificado de participação; quarto e quinto lugares com certificado de participação. Independente da classificação anterior, serão conferidas as mesmas premiações aos trabalhos que versarem sobre Conselheiro Lafaiete.

5º - A comissão julgadora dos trabalhos será composta por três pessoas capacitadas e de reconhecido mérito, em cada categoria, que aferirão a cada trabalho pontuação de cinco (5) a dez (10), admitindo-se os decimais. Essas notas serão, posteriormente, somadas e, do total, será tirada a média para que se obtenha, então, a classificação geral dos inscritos.

6º - Cada trabalho concorrente deverá ser enviado em três cópias, digitadas ou datilografadas de um só lado do papel. Cada autor poderá participar com até três trabalhos em cada categoria.
§ 1º - Nas cópias deverão constar apenas o título da obra, categoria e pseudônimo do autor. Numa folha à parte, o candidato deverá colocar as seguintes informações: título da(s) obra(s), nome completo do autor e o pseudônimo usado, endereço, telefone e e-mail (caso tenha). Essa folha de identificação deverá ser colocado dentro de um envelope menor, juntamente com cópia xerográfica do documento de identificação do autor e do comprovante da taxa de inscrição, e lacrá-lo; do lado de fora dele, escrever o(s) título(s) da(s) obra(s) e o pseudônimo do autor. Os trabalhos e esse envelope com a identificação deverão ser colocados dentro de um envelope maior, também lacrado, e remetido para CONCURSO LITERÁRIO INTERNCAIONAL PRÊMIO CIDADE DE CONSELHEIRO LAFAIETE – RUA COMENDADOR BAÊTA NEVES, 68 – CENTRO – CONSELHEIRO LAFAIETE – MG. CEP 36400-000. O mesmo endereço deverá constar também no verso do envelope, no lugar do remetente.
§ 2º – Será cobrada uma taxa de inscrição de R$ 10,00 (dez reais) por categoria, podendo inscrever até três trabalhos em cada. O valor deverá ser depositado no Banco Itaú, agência 1429 conta corrente nº 11229-3, em favor da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette. Uma cópia xerográfica do comprovante de depósito deverá ser juntada à documentação de identificação do participante.

7º - As inscrições se iniciam dia 1º de julho de 2009 e se encerram no dia 30 de setembro de 2009.

8º - A premiação dos classificados no Concurso será na solenidade de final de ano promovida pela ACLCL, em data ainda a ser definida e divulgada oportunamente.

9º - Os trabalhos inscritos e classificados nos três primeiros lugares serão publicados na antologia “Lafaiete em prosa e verso” de 2010, sem ônus para os autores, que receberão um exemplar cada. Essa publicação, no entanto, dependerá da autorização prévia do autor para sua publicação.

10º - Os trabalhos ficarão à disposição de seus autores, para reavê-los, na secretaria da ACLCL, na Casa de Cultura Gabriella Mendonça, até noventa (90) dias após a data da premiação. Passado esse período, o material que não for procurado será incinerado, eximindo-se, desta forma, a ACLCL de qualquer responsabilidade autoral da obra.
§ 1º – A ACLCL não se responsabilizará em remeter pelos Correios os trabalhos inscritos no Concurso.

11º - O não cumprimento, por parte do inscrito, de qualquer das cláusulas deste Regulamento implicará a anulação automática de sua inscrição.

12º - Compõem a Comissão Organizadora do Concurso os acadêmicos: Carlos
Reinaldo de Souza, Douglas de Carvalho Henriques, Efigênia Chaves Janoni, Leila Maria Silva Barbosa e Lucy de Assis Silva.

13º - Os casos omissos neste Regulamento serão resolvidos pela Comissão Organizadora, juntamente com a Comissão Julgadora, cuja decisão será irrecorrível, respeitadas as leis maiores.

Conselheiro Lafaiete, 27 de junho de 2009.

Monday, 29 June 2009

Se Governu la disponivel osan, entaun Timor Leste sei la partisipa iha 2 Jogos Lusofonia

Se governu Timor la disponivel osan, entaun delegasaun Timor Leste nebe halo preparasaun duranti fulan hirak ne'e nia laran iha Timor Leste sei la partisipa iha segundo jogos lusofonia nebe atu halo iha Lisboa iha fulan Julhu nia laran.

Tuir informasaun hosi Timor, hateten katak delegasaun Timor hamutuk ema atus ida (100) hosi parti kultura no desporto prepara duranti fulan hirak nia laran atu partisipa iha 2 jogos lusofonia.

João Viegas Carrascalão, presidenti Comité Olímpico Timor Leste nian oras ne'e dau-daun halo hela kontaktu ho entidadis hosi rai liur (le; exterior) hodi buka tulun ba delegasaun Timor.

"João Viegas Carrascalão hakas-an atu lori netik modalidadi ida ou rua iha segundu jogos lusofonia ida ne'e.", hateten Timor oan ida.

"Ema barak maka senti triste i la kontenti kuandu rona katak governu la iha osan ba eventu hanesan ne'e. Duranti ne'e, tantu hosi parti kultura no desporto, ema treinu la para.", hatutan Timor oan ne'e.

Timor oan barak hosi Inglaterra nebe prepara atu fo'o suporte ba delegasaun Timor iha 2 jogo CPLP kansela sira nia viajem atu ba Lisboa hafoin rona tiha katak governu Timor la disponivel osan hodi selu delegasaun Timor iha 2 jogo CPLP.

Segundu jogos lusofonia ho tema "A Uniao Mais Forte Que A Vitoria", sei halo iha loron 11 to'o 19 fulan Julho, iha cidade Oeiras no cidade Almada, Lisboa. Sei partisipa iha 2 Jogos Lusofonia: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guine-Bissau, Macau, Mozambiki, Portugal, Sao Tome i Principe, Guine Ekuatorial, India no Sri Lanka.

Primeiru Jogos Lusofonia halo iha Macau iha 2006 nebe Timor Leste halo mos parti, hodi hetan medalha bronze ida.

Atu hatene konaba 2 jogo lusofonia bele hare iha:
http://www.lisboa2009.org/Default.aspx?tabid=36

Fim


Celso Oliveira

Sunday, 28 June 2009

LET US BUILD A NEW TIMOR- LESTE FREE FROM CORRUPTION




Bishop Carlos Filipe Ximenes Belo







I have always said that, we the people of East Timor, are being offered the great historical opportunity to build a new nation founded on the values we fought hard to achieve – human rights, justice, peace, freedom and sustainable development.

I genuinely appreciate east timorese young generations talking about the issue of corruption . The Church wishes to contribute to this discussion because corruption is a critical moral and ethical issue. Corruption is indeed a global phenomenon. No country is immune from this scourge, although it is, much worse in poorer countries where it is endemic. Corruption – the abuse of public office for private gain – is a sin. It is a social sin because it undermines the common good. It is anti-solidarity. It is anti-community.

The New Testament teaches ‘there is no authority except from God’ (Rom 13:1). As the steward of this trust, the office holder is answerable to God to whom an account must be given for his/her fulfilment of their trust. Authority is not for the gain or growth in power of either individuals or families. It is given for service (cf Mk 10:45) so that the person in authority can help others grow in dignity and unity (cf 2 Cor 10:8). To use one’s office and its power to serve one’s own interests is to contradict the very nature and purpose of authority. It is a betrayal of the people and community who rightly expect to be served.

Pope John Paul II had stated that the Catholic commitment to the value of community by saying that ‘ solidarity is undoubtedly a Christian value – it is a firm and preserving determination to commit oneself to the Common Good’ (O Bem Comum).

Corruption is acting as a brake on sustainable development. It reduces or retards a country’s economy. It takes resources from education and health, rewards the incompetence and dishonest and penalises hardworking and honest citizens.

Corruption widens political and economic inequality. It discourages or steal private sector investment and deprives ordinary citizens of a responsive and even- handed public administration.

Corruption – and the struggle against it – is an issue that stands above the divisions of party politics. Anyone who is concerned for the future of East Timor and the well-being of our people can and should come together to ensure that it is prevented, if not eliminated, in our collective process of nation-building.

I propose that the way to go about in East Timor is through dialogue, the raising of awareness and through a coalition of all three sectors – government, civil society and the business sector – to formulate a plan in three key strategic areas:

- Prevention of corruption;
- Prosecution of those who commit graft and corruption; and
- Promotion of a corruption-intolerant culture.

We need to develop a set of tools that we can use to prevent and combat corruption. These are accountability, transparency and the active involvement of civil society. These are tools that:

- Build more effective and efficient government;

- Secure the State against infiltration by interested groups or organised crime;

- Protect human rights;

- Alleviate poverty through participatory development process and access to essential services such as health and education;

- Build public belief in the institutions that server them; and

- Establish public confidence in government.

Within the administration, we need to ensure that the our government is transparent and accountable and the justice system has integrity. There are some practical measures we can implement now:

- Ensure salary levels are high enough for a government official to be able to support his or her family without needing “extra income”;

- Ensure that government officials are respected and can respect by refusing to refuse bribes.

- Ensure that the community leaders show the way by refusing to take part in corruption activities. Many people learn from their leaders, both in a practical and in moral sense. Leaders must be totally clean and show the highest standards in everything they do.

- Ensure that the civil society is strong and able to monitor and subject government leaders to questioning and analysis about their activities. Civil organizations (ONG and people’s organization) must be independent of government and closely linked to the people.. It is crucial that we lay the basis for this now.

- We need to put more emphasis now on creating a legal and police system which is effective in provide justice. Leaders who break the law must be made accountable for their crimes. The ordinary people will see this and know that a new society has commenced. But if we fail to ensure that the law applies equally to everyone, regardless for their status, we will be laying the grounds for future problems.

- Introduce a code of conduct for politicians, for appointment process, and for lobbying practices. This can curtail corruption as can, in the longer term, establishment of official regulatory mechanism.

I pray to God that the Government and National Parliament will be able to implement moral values in our beloved homeland.

Fonte: Forum Haksesuk


Friday, 26 June 2009

Poema nebe koalia hodi hau naran

Passa Tempu ho Ita Nia Oan

Passa tempu ho ita nia oan, sei fo’o konfiansa ba sira.
Akompanya ita nia oan iha moris tomak, sei halo sira moris iha responsabilidadi.
Labele hatudu violensia ba ita nia oan, sei fo’o esperansa ba sira.
Dada lia hamutuk ho ita nia oan, halo sira hadomi malun.

Ita Timor sei iha hahalok violentu.
Mesmu iha labarik ki’ik nia oin, violensia kontinua existi.
Ita Timor sei dauk iha respeitu ba labarik ki’ik sira.
Dala barak, inan-aman rasik maka la hatudu domin ba oan sira.

Fo’o tempu ba oan sira, sei halo sira hadomi ita.
Halo refleksaun ba oan sira nia futuro, sei loke dalan ba sira nia futuro.
Lori kosar bem rasik hakiak oan sira, sei iha dalan diak ba sira nia moris.
Halimar ho ita nia oan, sei halo sira hamnasa i respeitu malun.

Kuandu ita hatudu hamnasa, respeitu, konfiansa,
Esperansa no hadomi ba ita nia oan sira, loron ida, ita sei la moris mesak iha mundu modernu nia laran.

Celso Oliveira

Tuesday, 23 June 2009

Kirsty Gusmão apresenta Fundação ALOLA e livro de Xanana Gusmão‏

Reitoria da Universidade de Lisboa

Assessor de Imprensa - António Sobral

Alameda da Universidade
1649-004 Lisboa
tel: 21 017 01 34 | 21 017 01 20

fax: 21 794 19 90

asobral@reitoria.ul.pt

Exmos. Senhores.

O Reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, recebe amanhã, 24 de Junho, às 18 hs., no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, Kirsty Sword Gusmão, presidente da Fundação ALOLA, de Timor-Leste, para uma sessão de apresentação desta Instituição e Conferência sobre o livro A Construção da Nação Timorense – Desafios e Oportunidades, da autoria de se marido, Kay Rala Xanana Gusmão, edição da Lidel - Edições Técnicas.

Fundada em 2002, a Fundação ALOLA defende a promoção da mulher e das crianças de Timor-Leste, lutando por melhores condições de saúde, promovendo a educação, a liderança, a criação de oportunidades de emprego e o fortalecimento da comunidade. Neste evento, Kirsty Sword Gusmão apresentará em detalhe a sua Fundação: objectivos e projectos desenvolvidos em prol da comunidade timorense.

Maria José Ritta, Margarida Uva, Ana Gomes, Jorge Miranda e Basílio Horta estarão presentes neste evento para apoiar a Fundação ALOLA.

Para além disso, a mesma oradora apresentará o livro “A Construção da Nação Timorense – Desafios e Oportunidades”, que aborda diversas temáticas e inúmeras intervenções de Kay Rala Xanana Gusmão sobre Timor, levando a reflexões sobre os desafios e oportunidades da construção desta nação e realçando momentos de grande impacto na história do povo timorense.

As receitas da venda do livro de Kay Rala Xanana Gusmão no evento revertem a favor da Fundação ALOLA, numa acção de solidariedade social da Lidel, editora do livro

Com o objectivo de sensibilizar para os desafios da comunidade timorense e para a evolução da situação do país desde a sua independência em Maio de 2002, este evento é promovido pela Lidel – Edições Técnicas em conjunto com a Universidade de Lisboa, a Embaixada da República Democrática de Timor-Leste em Lisboa e a Fundação ALOLA.

A sessão contará com as actuações de um Grupo de Animação Cultural Timorense e de Luís Represas.

“A Construção da Nação Timorense – Desafios e Oportunidades”

ISBN: 978-972-757-317-2

N. º de Pág.: 248

P.V.P.: 15,80€

Para mais informações:

Rita Annes: 91 689 68 88

Tel.: 21 351 14 48

E-mail: ritaa@lidel.pt

Com os melhores cumprimentos,

A.Sobral

Monday, 22 June 2009

Mia Couto: o poeta que se realiza em prosa

MAIS CRUZEIRO - [ 20/06 ]

Juliana Simonetti


Escritor de Moçambique, que lança este mês no Brasil 'Antes de nascer o mundo', fala sobre os autores brasileiros que o influenciam e declara, em referência a Guimarães Rosa, que a savana é o seu sertão

Um dos maiores autores contemporâneos da literatura de língua portuguesa, o africano Mia Couto, está com os bolsos vazios. Estou num luto sem morte, declarou ao Mais Cruzeiro o escritor, que tem livros traduzidos em mais de 20 línguas. Mas para os fãs das obras de Mia, a notícia não deve ser encarada como uma tragédia. Pelo contrário. As colocações do escritor se referem ao fato de que ele acaba de entregar, há aproximadamente dois meses, seu último romance para a publicação. Intitulado Antes de nascer o mundo, o livro chega às livrarias do Brasil ainda este mês, conforme informou a editora Companhia das Letras.

A começar pelo seu próprio nome - Mia Couto nasceu António e, quando tinha dois anos e meio, decidiu que queria se chamar Mia, pela relação de afeto que tinha com os gatos -, o escritor, tal qual um de seus grandes mestres, Guimarães Rosa, é conhecido por inventar palavras - como amardiçoar ou timiudinho - , as quais guarda no bolso antes de ganharem as páginas dos livros. Atualmente, o estoque está esgotado e, para sorte dos leitores, disponível nas prateleiras das principais livrarias do mundo. Anoto tudo o que, ao ser escrito, se pode converter em alimento de invenção. Infelizmente, desde que entreguei um romance para publicação fiquei vazio, esgotado. Sucede sempre assim: depois desse percurso longo de intimidade com personagens que me habitavam, a separação é sempre traumática, explicou por email à reportagem.

Para quem ainda não conhece Mia Couto, não custa registrar o poder das palavras do autor, que escreve prosa como quem faz poesia. Como petiscos aos curiosos, seguem algumas passagens de seus livros: Amar é estar sempre chegando; O pulo é o desajeito humano de ensaiar um voo; Conselhos de minha mãe foram apenas silêncios. Suas falas tinham sotaque de nuvem; Se temos voz é para vazar sentimento. Contudo, sentimento demasiado nos rouba a voz; A lágrima plagiou o oceano; O tempo é o eterno construtor de antigamentes; Falar é fácil. Custa é aprender a calar (confira outras passagens nesta página).

Para quem gosta da literatura dos brasileiros Guimarães Rosa (um poeta que se realiza em prosa, conforme o moçambicano), Mário Quintana, Manoel de Barros, Drummond e Adélia Prado (influências assumidas do escritor), Mia Couto é um prato cheio. Houve um tempo que pensei que os escritores da África, Ásia e América Latina tinham mais histórias para contar. Mas reconheço hoje que isso é um preconceito. De qualquer forma, Mia Couto é um dos escritores da atualidade que mais têm a contar, como atestam as vendas de seus livros pelo mundo. Para se ter uma ideia, em Portugal as tiragens chegam a 50 mil exemplares.

Sócio-correspondente da Academia Brasileira de Letras, vale registrar que o moçambicano também é biólogo e dirige uma empresa de estudos de impacto ambiental em seu país. Filho de portugueses, Couto foi militante da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e lutou pela independência do país contra Portugal (1964-74). Apesar de seus livros serem de ficção, é possível verificar atitudes políticas claras em seus escritos. Muitos deles descrevem, de maneira bastante poética, as consequências da ocupação européia em continente africano ou, até mesmo, alertam para o problema enfrentado devido às minas terrestres, um terror ainda vivido em seu território. Em O último voo do Flamingo, por exemplo, ele aponta para o perverso negócio praticado em seu país: muitas vezes as próprias empresas produtoras de minas fazem a desminagem, e ela custa mais caro ao poder público do que comprar minas.

Dentro dessa perspectiva, a reportagem indagou se Mia Couto acredita que um escritor pode ser mais importante que um político. A ficção e a realidade, a arte e a política, o escritor e a ação política: tudo se mistura. Nos dias de hoje, a imagem do político está muito saturada e talvez, infelizmente, ela está amarrada a um estereótipo desvalorizado. O escritor está mais protegido desse desgaste, apontou.

A realidade da profissão de biólogo, aliás, serve também de suprimento para a literatura de Mia Couto. Assim como Guimarães escrevia cartas para seu pai em Cordisburgo pedindo-lhe que contasse histórias da cidade, que com a pena do escritor mineiro ganhariam ainda mais encanto, é durante o trabalho de pesquisa de campo que Mia conversa com as pessoas, conhece locais, e garimpa mais histórias para seus escritos. Eu sou biólogo e trabalho em pesquisa de ecologia. Isso me faz visitar constantemente a savana, que é, nesse sentido, o meu sertão. Necessito de um não-lugar onde tudo pode ser plausível. (...) A capacidade de converter tudo em história (diria Rosa, em estória) é um dos grandes atrativos de Moçambique, contou e reforçou : Toda a literatura nasce dessa charneira entre o que se supõe ser realidade e o que é chamado de fantástico.

Na posição de um dos escritores mais influentes e ativos da contemporaneidade, Mia Couto, que não tira de sua cabeceira o Livro do Dessassosego, de Fernando Pessoa, assume também a função de porta-bandeira na campanha pela leitura e afirma: O que importa não é o livro que o leitor lê, mas o quanto ele pode ser lido pelo livro. Agora, aos interessados, basta apenas procurar Antes de nascer o mundo nas prateleiras das livrarias e quem sabe se encontrar na poesia de Mia Couto.

"- Você não me amou o suficiente.

- Para si não há nunca o suficiente.

Não era apenas para ele que não bastava. O suficiente é para quem não ama. No amor, só existem infinitos."

Em 'Venenos de Deus, remédios do Diabo'

"Rir junto é melhor que falar a mesma língua. Ou talvez o riso seja uma língua anterior que fomos perdendo à medida que o mundo foi deixando de ser nosso."

Em Venenos de Deus, remédios do Diabo

http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=42&id=195378

Saturday, 20 June 2009

Funu Nain no Mauhu iha Hau Nia disionariu Literariu

Uluk, kuandu ita koalia konaba mauhu, ita sei refere ba ema sira nebe halo servisu ba Indonésia. Uluk, ema barak maka moris hanesan mauhu, atu nune sira bele moris i sira bele dada is. Tamba moris duranti tinan 25 iha funu ida nia laran laos hanesan moris loron ida ou loron rua. Atu moris duranti tinan 25 nia laran, ema presija han, ema presija uma, ema presija servisu, no seluk tan.

Desde prinsipiu hau koloka-an hanesan ema mauhu. Housi pozisaun mauhu, hau bele hareé dok –alias- kuandu hau tau-an hanesan mauhu, maka hau foin hatene lolos konaba oinsa futuru Timor hafoin tiha ukun rasik-an.
Ohin loron, ema lubun wain nebe uluk halo servisu ba Indonésia kontinua moris iha knua ida deit, naran Timor, hamutuk ho ema sira nebe uluk sakrifika-an “klamar ho isin” ba Timor nia ukun rasik-an. Ema sira nebe uluk hanesan mauhu, ohin loron kontinua kaer empressa oi-oin, tu’ur iha governu, oan sira kontinua eskola, no seluk-seluk tan.

Maibe, hosi hateke ba hau-an hanesan mauhu, hau mós hakarak hateke ba hau-an hanesan ema funu nain.
Uluk, kuandu ita koalia konaba estafeta, ai-laran, etc, ita sei refere ba ema funu nain –alias- sira nebe hakarak Timor ukun rasik-an. Uluk, susar tebes-tebes atu hetan kontaktu ho funu nain sira. Ohin loron, ema barak maka moris hanesan funu nain Timor nian. Ohin loron ho fasil tebes-tebes ita halo identifikasaun ba funu nain sira tamba funu nain hotu-hotu simu medalha kondekorasaun, i, hetan benefisiu hosi Estado Timor. Se karik la hetan medalha kondekorasaun ou Estado Timor la tau matan ba funu nain sira, entaun sei mosu protestu, i, housi protestu sei mosu sentimentu: revolta, inveja, ódio, etc.

Hateke ba hau nia-an hanesan mauhu no funu nain, tuir lo-los bele sai hanesan modelu simples ida hodi ita bele kompriende lolos konaba realidadi atual –alias- saida maka ema Timor hakarak lolos iha faze mengisi kemerdekaan?

Ohin loron, iha faze mengisi kemerdekaan, hau sempre hakarak atu Timor moris iha hakmatek ida nia laran. Hakmatek signifika katak labele iha tan funu, rungu ranga, kekacauan. Hakmatek signifika moris iha harmonia, trankilidadi, paz no domin. Hakmatek signifika labarik sira ba eskola loron-loron. Hakmatek signifika kalan ema bele dukur diak, loron ema bele halao knar ho responsabilidadi.

Ne’e duni, hau konsidera katak independensia Timor atu kria/harií Timor hanesan espasu bo’ot ba ema Timor hotu. Seja nia uluk hanesan funu nain ou mauhu, aswain ba ukun rasik-an ou pro-integrasi. Futuro rai Timor depende ba ema Timor oan hotu nebe iha vontade atu servi povo Timor. Só hanesan ne’e maka ita bele dezenvolve ita nia rai Timor.

Oinsa maka Xanana nia atuasaun iha faze libertasaun no faze dezenvolvimentu?

Xanana Gusmão, atual primeiru ministru iha IV Governu Konstituisional kompriende katak iha funu nia laran maka ezisti termu aswain no mauhu, pró-kemerdekaan dan pró-otonomi/pró-integrasi. Maibe, iha ona faze dezenvolvimentu nasional (pos-kemerdekaan) labele ezisti termu sira ne’e.

Tamba ne’e maka desde prinsipiu Kayrala Xanana Gusmão defende guvernu ida (pos-kemerdekaan) ho karakter Unidadi Nasional. Governu Unidadi Nasional hanesan bandeira hosi CNRT (Conselho Nacional da Resistência Timorense) apresenta ba komunidadi internasional hodi hetan solusaun ba Timor nia kauza iha 1999. Governu Unidadi Nasional maka loke odamatan ba Bispo Carlos Filipe Ximenes Belo no José Ramos Horta (atual presidenti da republika) hetan Nobel da Paz iha 1998. Hodi planu governu Unidadi Nasional maka CNRT hetan apoio hosi grupu pró-demokrasi indonesia iha tinan 1992/93/94/95/96/97/98/99. Planu hosi Governu Unidadi Nasional maka hetan apoio total hosi Igreja Katolika Timor, juventude Timor no povo Timor tomak.

Ne’e duni, formasaun IV Governu Konstituisional alias governu AMP hanesan resultadu hosi planu governu Unidadi Nasional nebe CNRT defende iha faze libertasaun nasional.

Ohin loron, Timor Leste hanesan rai ida kiik no sei kiak, iha faze dezenvolvimentu nasional, labele sai hanesan ameasa ba Indonésia no Austrália. Timor Leste tenki fo garantia ba paz no seguransa iha rejiaun nia laran.

Parabéns ba Xanana Gusmão nebe halo tinan iha loron 20 fulan Junho.

Celso Oliveira,

Sunday, 14 June 2009

LASAMA DE ARAÚJO GARANTE ESTABILIDADE NO 8º ANIVERSÁRIO DO PD


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JHM - Lusa - 14 de Junho de 2009

Díli - O líder do Partido Democrático (PD) timorense, que hoje assinalou o oitavo aniversário da sua fundação, garantiu que todo o país está determinado a contribuir para a paz, estabilidade e desenvolvimento nacionais.

Em declarações à Agência Lusa à margem das celebrações que decorreram em Manleuana (noroeste de Díli), Fernando La Sama de Araújo evocou as "más experiências do passado" mas, com os olhos postos no futuro, deixou uma mensagem de esperança.

"Todo o povo timorense está a contribuir para a paz e estabilidade do país, não apenas em termos de segurança, mas também no plano político", assegurou.

O segundo mais alto dignitário da nação, enquanto presidente do Parlamento Nacional, frisou haver "razões para optimismo quanto às perspectivas de desenvolvimento".

"Sendo um país novo - com a sua independência restaurada a 20 de Maio de 2002, após 24 anos de ocupação indonésia - , precisamos de redobrar esforços e é precisamente neste sentido que trabalhamos, com a contribuição da população", alertou, no entanto, Fernando La Sama de Araújo.

Um dos dois vice-presidentes do parlamento Nacional, Vicente Guterres, afirmou na sua intervenção perante uma sala repleta que "o mais importante é assegurar a estabilidade do regime, em união e através do diálogo".

Dos convidados de honra fez parte o embaixador dos Estados Unidos em Timor-Leste, Hans Klemm.

Entre os restantes convidados estiveram representantes do Presidente da República, José Ramos-Horta, e do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, bem como um delegado de Atul Khare, enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para Timor-Leste.

O Partido Democrático foi fundado a 10 de Junho de 2001, dois meses antes da Assembleia Constituinte formada, na altura, pela Administração Transitória das Nações Unidas em Timor-Leste (UNTAET).

Saturday, 13 June 2009

Grupo banda Timor anima festa popular Santo Antonio iha Peterborough








Grupo banda Timor oan anima festa popular Santo Antonio de Lisboa nebe halo iha bar portugues iha cidade Peterborough, Inglaterra. Ema lubun wain hosi portuguezes, timorenses, guinenses, brasileirus no rai seluk tan halo parte iha festa popular ne'e.

Komposta hosi Alex (drum), Maulari (organ), Chico (bass), Azinho Garcia (melody) i Batista (vokal), grupo banda sei toka hosi tuku 7 kalan to'o madrugada, iha loron 13 iha bar nia laran.

Festa Santo Antonio hanesan festa popular ema portuguez nian. Tinan-tinan ema portuguez iha mundo tomak sempre selebra loron 13 fulan Junho hanesan loron popular Santo Antonio de Lisboa. Han sardinhas tunu hodi hemu cerveja hanesan tradisaun iha festa popular Santo Antonio nian.

Timor oan besik ema atus rua (200) hela iha cidade pepterborough. Fim

Celso Oliveira

Friday, 12 June 2009

AMO-DEUS CORONEL SANTO ANTÓNIO

Por: Dom Carlos Filipe Ximenes Belo


Celebra-se no dia 13 de Junho a festa do santo português mais conhecido e mais popular no mundo católico: Santo António de Pádua ou Santo António de Lisboa.
Chamava-se Fernando Bulhões, e nasceu em Lisboa em 1195 (outros dizem que em 1191 ou em 1192). Foram seus pais Martinho Bulhões, oficial do exército de D. Afonso I e Teresa Taveira.

Fez os estudos na “escola catedral”, junto do Mosteiro de São Vicente de Fora, Sentindo-se chamado por Deus, entrou, aos 15 anos, na ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Aos 17 anos, a seu pedido, transferiu-se para o mosteiro de santa Cruz de Coimbra, onde aprofundou os estudos monásticos e escriturísticos. Atraído pelo exemplo dos Franciscanos que viviam no ermitério de Santo António de Olivais, em Coimbra, e comovido com o martírio dos franciscanos em Marrocos, Fernando pede para entrar na Ordem franciscana, fundada por S. Francisco de Assis. Aos frades de santo António dos Olivais que tinham por costume ir ao mosteiro dos Cónegos Agostinhos pedir esmola, Fernando teria revelado o desejo morrer mártir: “ Irmãos, receberia com entusiasmo o hábito da vossa ordem se me prometêsseis enviar-me, logo a seguir, à terra de sarracenos a fim de participar da coroa dos santos mártires”.Tendo sido aceite na ordem, toma o nome de Frei António. No verão de 1220, António vestia o hábito franciscano e nos princípios de Novembro partia em Marrocos. Estando gravemente doente, os superiores acharam por bem repatriá-lo a Portugal. Com esta intenção embarcou, mas um forte vento impeliu o navio para o oriente, obrigando-o a atracar nas costas da Sicília (Itália). Frei António refugiou-se no convento dos franciscanos de Messina e dali, foi para o Capítulo Geral convocado pelo fundador, capítulo esse que começo a 21 de Março de 1221. Terminado o Capítulo, o provincial da Romagna levou Frei António consigo. Nessa região obteve do superior a licença para se retirar ao ermitério de Monte Paulo para consagrar-se à solidão. Em Setembro de 1221, durante a cerimónia da ordenação dos religiosos franciscanos e dominicanos em Forli, frei António, a pedido do superior, foi convidado para pregar o sermão. A sua intervenção foi de tal maneira retumbante que comoveu a todos, facto que levou o superior a destiná-lo para o apostolado. Os campos de acção foram muitos. Romanha, , Montpellier, Toulouse (Tolosa),Bourge, Limoges. Conta-se que em Rímini, os herejes impediam ao povo assistir aos serões do frei António. Perante a apatia dos seus ouvintes, o santo foi à costa adriática e começou a pregar aos peixes, dizendo: “ ouvi a palavra de Deus, vós peixes do mar e do rio, já que não a querem escutar os infiéis herejes”. Falando ele assim, acudiram peixes em cardume mostrando as cabeças fora da água.

Passados uns anos de apostolado, foi nomeado professor de teologia. Informado S. Francisco da sabedoria e santidade que tinha, e convencido da necessidade de estudo dos seus frades, enviou a santo António a seguinte carta. “A frei António, meu bispo, Frei Francisco, saúde em Cristo: Apraz-me que interpreteis aos demais frades a sagrada teologia, contanto que este estudo não apague neles o espírito de santa oração e devoção, segundo os princípios da regra. Adeus”. Pouco durou esse magistério no estudo dos franciscanos em Bolonha, pois as necessidades gerais da igreja exigiam sua presença França para combater a heresia albigense. O Papa que reinava na altura tinha feito um apelo a todos os pregadores para se lançarem no combate à heresia. Entre os escolhidos figurava Santo António. Dessa cruzada, diz um cronista: “ Dia e noite tinha discussões com os herejes; expunha-lhes com grande clareza o dogma católico; refutava vitoriosamente os preconceitos deles, revelando em tudo ciência admirável e força suave de persuasão que penetrava na alma dos seus contrários”. No capítulo geral de 1227 Santo António foi eleito ministro provincial da Romagna, cargo que exerceu até 1230. Nos fins de 1229 foi mandado para Pádua, onde se dedicou à oração estudo composição de sermões. Na Quaresma de 1231 suspendeu o estudo para dedicar-se de novo à pregação. Dizem as crónicas que “nele era tão vivo o zelo a devorara-lhe o coração, que se propôs a pregar durante quarenta dias contínuos. E era tanto o entusiasmo do povo, que se lançava sobre ele para lhe cortar pedaços do hábito”. Consumido pelo esforço e pela enfermidade, retirou-se para a solidão de Arcella, em Camposampiero. Ali viria a falecer no dia 13 de Junho de 1231, com 36 anos de idade. Logo que expirou, as crianças de Pádua correram a cidade gritando: “Morreu o Santo! Morreu Santo António! Ainda não tinha passado um ano a contar da sua morte, quando o Papa Gregório IX o declarou santo.

A devoção a Santo António em Timor-Leste.
Vem de muito longe esta devoção dos cristãos timorenses ao santo taumaturgo. Certamente desde o tempo dos missionários dominicanos. Por volta do ano de 1750, na povoação de Mena (hoje no Timor ocidental), a igreja tinha como orago, santo António. Segundo o primeiro padre timorense, pe. Gregório Maria Barreto que foi superior das missões de Timor em 1856, a igreja existente no reino de Cotubaba (Atabae) era dedicada a santo António. Segundo o mesmo padre Barreto, no reino de Montael havia a “real capela do Glorioso Santo António”. Era a única capela com paredes de tijolo, porém coberta de palha. No reino de Lacluta, a igreja era também dedicada a santo António (cf. Relatório ao Governo, 1865). No início do século XX, a capela de Alas era dedicada a Santo António (1905).

Hoje, ano da graça do Senhor 2009, são estas as igrejas de Timor-Leste, dedicada ao glorioso santo António: 1) Igreja de santo António (Paróquia de Motael - na cidade de Díli, diocese de Díli, ); 2) Igreja de santo António (Paróquia de Manatuto, diocese de Baucau); 3) Igreja de santo António, na cidade de Baucau (Paróquia de Baucau, Diocese de Baucau), 4) Igreja de santo António (Paróquia de Balibó, diocese de Dili); 5) Igreja de santo António (Quase-paróquia de Lacluta, diocese de Baucau; 6) Igreja de santo António (Estação missionária de Buibau, diocese de Baucau).

Acerca da devoção do povo de Manatuto, contava o padre Ezequiel Enes Pascoal, fundador e primeiro director da revista SEARA, que, em tempos idos, as populações ao verem os seus arrozais atacados e dizimados pelos ratos, levavam a imagem do santo a percorrer “natar” (várzeas ou campos de arroz), no meio de preces e “haklalan” (aclamações e gritarias). Contava-se que uma certa manhã, ao irem venerar a imagem do santo na igreja, os devotos viram os pés de santo António cobertos de lama. Pelos vistos, durante a noite o santo Padroeiro tinha saído do seu altar para ir “afugentar os ratos”, pois viram patentes nos “natar” as pegadas do santo… A verdade era que nos anos seguintes, o “neli” (arroz em português de Timor), produzia a cem por cento…Perante estes factos, os habitantes de Manatuto, começaram a aclamar o santo com o pomposo título de “Amo Deus Coronel Santo António”.

Ainda hoje, em Manatuto, no dia 13 de Junho, além das festas religiosas, os cavaleiros organizam os jogos chamados “cavalhadas”, durante os quais, os homens montados em cavalos e, em corrida, tentam arrebentar, com varapau, uma panela cheia de moedas e que está pendurada a uma certa altura…Que eu saiba é o único jogo que se realiza em todo Timor.

Na Paróquia de Baucau, a festa de santo António em organizada pelos quatro sucos (freguesias): Baha-uú, Tirilolo, Cai-bada e Buru-uma. No dia 12, á tarde, os moradores em trajes próprios acompanham o andor do santo até à “guarda” (casa/delegação do suco ou do reino). Aí as famílias fazem a velada rezando e cantando até ao dia seguinte, na hora em que a imagem é levada em procissão para a Igreja paroquial. Contam os “catuas” de Baucau que nos princípios do século XX, quando os moradores, na sua maioria gentios e animistas, foram a pé até à ribeira de Laleia, para receber e levar a imagem (estátua) de santo António até à vila de Baucau, a produção do milho e do neli (arroz) foi sempre abundante. Anos seguidos, na região de Baucau, nunca faltaram as chuvas, não houve ventanias ou tempestades; não houve pragas de ratos e de gafanhotos…E isso, deveu-se à intercessão de santo António. E em 1942, antes da entrada dos invasores japoneses, na vila de Baucau, os “catuas”, levaram o Santo e esconderam-no na grutas da “Ponta Bondura”. Essa região ficou livre da presença dos beligerantes até 1945, ano da rendição dos japoneses.

No enclave Oe-Cusse, Ambeno, na freguesia de Santa Rosa de Lima, foi construída durante o tempo da ocupação da Indonésia, uma capela dedicada ao santo António, e que se tornou centro de romarias. Para lá acorriam (e acorrem ainda) pessoas, não só de Oe-cusse, mas também das vilas e povoações de Timor Indonésio (Kefamenanu, Ponu, Wini, etc).

No mês de Julho de 1996, em plena ocupação indonésia, as populações de Timor-leste receberam com pompa e circunstância as relíquias de santo António. De acto, do dia 3 a 12 de Julho, multidões de devotos, quer nas vilas quer nas aldeias, “insistiam” com o Santo para que fizesse o milagre, o de ajudar a “libertar” Timor Loro Sa’e. E então rezavam:
“ Aman Maromak laran luak no diak, Ita fihir St. António nudar Evangelho ni sasin no manu-ain paz nian iha ami le’et. Rona ami nia oração. Halo família sira sai santo, tulun sira atu moris iha fiar; hametin sira iha unidade, paz no hakmatek. Haraik bens amai ami nia oan sira, hamahan foin sa’e sira. Tulun sira hotu nebé moras, terus no mesak. Thana ami iha susar loro-loron nian ho tia nia domin. Ami harohan ne’e hodi Nai Jesus Cristo ami Na’i. Ámen.”

Que o glorioso santo António continue a interceder junto de Deus uno e trino pelo povo de Timor-Leste.

Porto, 12 de Junho de 2009.

Nota: Imagem Google

Thursday, 11 June 2009

Momentu Amorosu















Foto sira ne'e hau hasai iha hau nia vizinho nia uma tutun. Ohin lokoraik tuku 7.30. Labarik kiik ida hakbesik-an mai hau hodi dehan: papa, os passaros estao a beijar.

Imediatamente hau kaer hau nia makina fotografika hodi akompanya momentu amoroso ida ne'e.



Celso Oliveira

Sunday, 7 June 2009

Timor oan iha Inglaterra halo festa independensia iha cidade peterborough












Trabalhadores Timor oan iha Inglaterra besik atus tolu (300) halibur hamutuk iha cidade Peterborough iha loron 30 fulan Maio hodi selebra tinan 7 loron independensia Timor Leste nian. Iha festa ida ne'e mosu mos ema portugueses, guinenses, brasileirus, polacos, lithuanias, kurdistauns, afrikanus no seluk tan maka halibur hamutuk ho Timor oan sira hodi rona muzika Timor nian no han ai-han Timor nian. Festa halo iha salaun East Comunity Centre hahu tuku 5 lokoraik to'o tuku 12 kalan.

Festa ida ne'e realiza hosi kontribuisaun Timor oan hotu iha cidade Peterborough nebe konsege hetan osan total 1900 pounds (ekivale 2900 $USA).

Tinan rua dala ida Timor oan iha cidade Peterborough halibur hamutuk hodi selebra loron ukun an Timor nian.

Timor oan besik atus rua (200) maka hela iha Peterborough. Labarik Timor oan barak maka oras ne'e moris no eskola iha cidade Peterborough. Fim

Bele hare video iha: http://www.youtube.com/watch?v=IExI1U9h5Zg

Celso Oliveira

Saturday, 6 June 2009

A REVOLTA DE 1959 EM VIQUEQUE, WATOLARI E WATOCARBAU



Por: Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, Prémio Nobel da Paz 1996.






Ocorre no dia de 7 de Junho de 2009, o Quinquagésimo Aniversário da assim chamada “Revolta de 1959”. Tinha eu onze anos, e andava na 2ª classe elementar na Escola da Missão de Baucau, quando assistia durante uma semana o trabalho forçado de uma multidão de homens e jovens na antiga “Vila Salazar, a sede do Concelho de Baucau. Não eram os normais “assuliar” recrutados dos sucos e postos admnistrativos. Eram os “implicados” da “Revolta de Viqueque”. Passados cinquenta anos ainda estou a vê-los a empurrar o cilindro, a carregar padiolas de terra, e capinar a erva… E os cipaios a chicoteá-los com “kuda tali e rota”… Porquê aqueles homens e aqueles jovens ali… condenados publicamente? Recordemos os factos…


Causas remotas: Em 1945, deu-se o armistício com a rendição das forças japonesas que abandonam o território de Timor Português. Enquanto as Ilhas que faziam parte das Índias Orientais, até então colónia da Holanda, declaravam a sua independência (8 de Agosto de 1945), Timor Português permanecia sob a soberania portuguesa. Timorenses que durante a ocupação japonesa se aliaram aos nipónicos cometendo crimes de assassinatos, roubos e incêndios, uns foram mandados como presos para a Ilha de Ataúro e outros estabeleceram-se no Timor Indonésio. No território, as autoridades portuguesas continuavam com a política de cobrança de impostos, de recrutamento de trabalhadores para os serviços do Estado (Auxiliares). Alguns régulos, chefes do suco e chefes de povoação mantinham um poder despótico em relação aos seus súbditos (serviços gratuitos nas suas propriedade (várzeas e hortas); fornecimento de géneros alimentícios; construção de casas do chefe e da chamada “guarda”: Aos faltosos aplicava-se o castigo de chicotes e palmatoadas. Os poucos funcionários nativos (guarda-fios; enfermeiros e professores) estavam descontentes com o governo colonial pelo baixo salário de que usufruíam. A despeito de tudo isso, o ambiente geral era mais de submissão do que de rebeldia.

Causas próximas: Em 1957, deu-se a rebelião conhecida pela Permesta, a qual teve lugar nas Ilhas Molucas do Sul. (Permesta: Piagam Perjuagan Semesta. Perjuangan Rakyat Semesta dipimpin Vetjen Sumual, Letnan-Kolonel, asal Manado. Piagam diatandatangani 51 Tokoh di Indonésia Bagian Timur, agar supaya Pemerintah Pusat memberikan perhatian kepada Daerah Nusa Tenggara, Sulawesi dan Maluku. Vetejn mendapat batuan dan dukungan dari Amerika Serikat). Em consequência disso houve um grupo de soldados e oficias indonésios que procuraram refúgio em Oe-Cusse. Eram catorze os que desembarcaram naquele enclave português. Em 1958, o então Governador de Timor Português, capitão Serpa Rosa deixara o governo da Província, em meados de Julho de 1958, depois de ter cumprido duas comissões de 4 anos cada. Na ausência do governador, foi nomeado como Encarregado do Governo, Tenente-coronel Manuel Albuquerque Gonçalves de Aguiar, que era também o comandante militar, em 14 de Julho do mesmo ano. Eram Administrador da Circunscrição de Baucau José Maria Ribeiro Filipe e de Viqueque Artur Marques Ramos. Era cônsul da República da Indonésia em Díli Nazwar Jacub Sutan Indra. O cônsul mantinha contactos com alguns timorenses e alguns árabes incutindo neles a ideia de integração na Indonésia e da rejeição dos Portugueses.

Por alturas do mês de Março de 1958 (precisamente no domingo de Ramos), catorze indonésios chegam à Vila de Baucau: “Lambertus Ladon, Gerson Pello, Jobert Moniaga, Eddy Welong, Albert Ndoen, Jeheskial Folla, Ambrosius Dimoe Logo, Urias Daniel, Dominggus Adoe, Lorenz Tangsi, Paulus Adoe, Anderias Therisk, Jonatah Nenotek, Jeremias Pello, sendo dois tenentes, dois primeiros sargentos, dois segundos sargentos, dois cabos e seis praças” (Cf. AHU; Timor, “Relatórios da Comissão da Defesa Civil, cx 1 (1962-1964(, oficio nº 54, do governador de Timor para o Ministro do Ultramar, 1 de Maio de 1962, p. 10). Para residência destes catorze militares, foi-lhes indicada como residência o edifício “Três Família”, na povoação de Macadai do suco de Baha-úu. Além da casa, o governo ainda lhes atribuiu um subsídio diário de 7 patacas ($43,75 (cf Filipe Themudo Barata, Timor Contemporâneo, Da primeira ameaça da Indonésia ao nascer de uma nação, Lisboa, 1998, p.53). (Segundo uma informação de um habitante de Baucau, que chegou a conviver com eles, eis os nomes: Tente Lambertus; Tenente Gerosn, natural de Kupang, era o 2º comandante; Albert, natural de Atambua, Zakarias de Atambua, Jeremais, de Ambon; Alferes Juber Natah, de Manado; Alferes Edi, de Manado; Ambrosius, de Ambon e era fotógrafo, havia ainda um soldado de Rote; de outros três não se conhecem os nomes).

Esses “asilados” tinham liberdade de movimento, pois percorriam as povoações de Baucau e começavam a viver em concubinato com algumas mulheres da zona de Macadai e Caibada. Aos domingos e quinta-feira iam ao bazar e participavam no jogo de futebol no campo de Teulale. Frequentavam também as festas como os casamentos e Kore-metan (desluto). Entretanto, iam estabelecendo contactos secretos com alguns funcionários timorenses de Baucau e de Laga. No mês de Dezembro de 1958, surgiu uma“zaragata” entre eles, e cinco deles foram transferidos para o antigo edifício dos Correios, na vila, e onde era guarda-fios, o sr. Abel Belo. Mais tarde foram transferidos para Viqueque Gerson Pello, Juber Natha, Alber Ndoent, Jehsekial Folla, Jeremias Pello e Jobert Moniaga Jeremias).

Esses indonésios, em combinação com o cônsul indonésio estavam a aliciar os timorenses para se revoltarem contra os Portugueses. Começaram por desenvolver uma campanha anti-portuguesa através de três empregados do consulado e de alguns elementos da comunidade árabe de Díli (David Verdial, Um Teng Siong, Salem Sagran (cfr Themudo Barata, op. cit., anexo V, p. 217). Ajudado pelo chanceler acolhe no consulado Luiz do Rego, João Pereira da Silva e José Beny Joaquim e Fernando Woodhomal que eram encorajados a fugirem para a Indonésia (cf, ibidem, idem).

Em Novembro ou Dezembro de 1958, o cônsul manda a Baucau o ajudante de enfermeiro auxiliar dos Serviços de Saúde, João Pereira da Silva com o objectivo de sondar os “exilados” indonésios se eles estavam na disposição de colaborar com ele num plano de revolta (cf Ibidem, idem, p.218). Em princípios de Fevereiro de 1959, o motorista dos serviços da Agricultura Luiz do Rêgo, um dos colaboradores do Consulado, desloca-se a Viqueque para estabelecer contactos com os indonésios exilados naquela vila, Gerson Pello e Albert Ndoen.

Entretanto em Díli, a Polícia ia vigiando e seguindo as actividades de um grupo de Timorenses, que seriam os cabecilhas da revolta e que foram descobertos a 3 de Junho de 1959. Eram eles: João Pereira da Silva, Valentim da Costa Pereira, João de Sousa Gama, Evaristo da Costa. David Verdial, Luís da Costa do Rêgo, José Beny Joaquim, Francisco Orlando de Fátima Soares, Carlos Salvador de Sousa Gama, Gervásio Soariano, Abel da Costa Belo, José Ramos, Tomaz da Costa Belo, Saleh Bin Hamed Basserawan, Crispim Borges de Araújo. No dia 9 de Junho foram mandados seguir no navio motor Índia para Lisboa.(cf Ibidem, idem, Anexo, V).
A revolta deveria eclodir no dia 28 de Maio de 1959, durante os bailes, quando os dois clubes Sporting Clube de Timor e Sport Díli e Benfica iam festejar o aniversário da fundação.

Outras fontes relatam que por conselho do cônsul indonésio em Díli, a revolta deveria começar no dia 31 de Dezembro (1959?), à meia-noite, quando, a população estivesse a celebrar a passagem do ano. Numa das reuniões entre os implicados, na Areia Branca (Meti-Aut), resolveu-se o seguinte:

-“Na Noite de 31 de Dezembro, os tenentes indonésios Lambertus e Gerson, um sargento e outros asilados, com alguns timorenses, marchariam para Díli a fim de se apoderarem das instalações militares, incluindo o paiol;
- um dos implicados (o motorista) encarregar-se-ia de ocupar o parque das viaturas;
-Um outro dos principais cabecilhas tomaria conta da polícia e distribuiria as catanas existentes nos armazéns dos serviços de agricultura pelos presos, os quais, com apoio de outros sublevados, cairiam sobre as pessoas reunidas nos clubes.
-outros elementos, previamente designados, actuariam em certas regiões controlando cruzamentos de estradas, edifícios públicos, etc;
-estavam previstas outras acções pontuais no interior;
-em Aileu,(…) planeava-se uma festa em casa de um dos implicados, para a qual seriam convidados todos os oficiais da unidade bom como os funcionários civis e, na festa, “ficariam sem as suas cabeças”;
-finalmente, a uma hora combinada, hastear-se-ia a bandeira indonésia nos locais subjugados”. (Filipe Themudo Barata,op cit. p. 60-61).

Descoberto plano da sublevação em Díli, no dia 3 de Junho, O Encarregado do Governo reúne com o seu chefe de gabinete, o administrador do Concelho de Díli e o chefe da polícia. E ficou acordado desencadear a acção da prisão dos implicados. Foram detidos 15 dos considerados cabecilhas. A polícia inicia as inquirições e confirmam-se os planos da projectada revolta. No dia 6 de Junho, de manhã, é terminado o inquérito. Decide-se a fixação de residência fora de Timor. Entretanto tinha chegado o navio Índia. Foram selccionados 11 “implicados” e enviados para Lisboa. O embarque foi pelas quatro horas de madrugada do dia 7 de Junho. “Os presos entram numa lancha que os conduz ao navio, levando cada um as suas bagagens. Avançavam sem qualquer resistência e como que conformados.” (Filipe Themudo Barata, op. cit p. 62).

A SUBLEVAÇÃO EM VIQUEQUE E WATOLARI
Pela meia-noite de Domingo, dia 7 de Junho de 1959, era assaltada a residência do Administrador na vila de Viqueque.

Na manhã desse domingo, o Administrador ouve alguns dos pretensos implicados na presença de um velho colono. Todos garantem que nada fizeram e nada sabem. Entretanto um deles, o mais activo que devia aguardar a conclusão das averiguações mo quartel dos cipaios, finge ir a casa buscar a sua roupa. Mas no caminho, encontra-se com o indonésio Gerson que o manda seguir para Watolari.

Na tarde desse domingo, o posto de Watolari era assaltado pelo chefe, chegado de Viqueque, com a colaboração de alguns cipaios. Cortam as ligações telefónicas com Viqueque e são mandados emissários ao posto de Watocarbau para fazerem o mesmo.

Entretanto, em Viqueque, pelas 20.30 h, três indonésios, Gerson Pello, Jeremias Pello e Moniaga, reúnem-se na casa de um funcionário aposentado com mais três ou quatro timorenses e umas dezenas de timorenses provenientes de povoações próximas. Sentindo-se descobertos os revoltosos decidem assaltar a secretaria da Administração de Viqueque e apropriar-se de todas as armas e munições, o que fizeram cerca de onze e meia da noite. Nesse assalto os guardas que opuseram a resistência foram feridos. Gerson manda cortar as ligações telefónicas com Ossu e interceptar as estrada Viqueque-Ossu com troncos de árvores. Por volta da meia-noite, os revoltosos assaltam a casa do Administrador. O Tenente Gerson comanda um grupo e assalta a residência e outro indonésio com outro grupo dos implicados toma posição junto à ponte da estrada para Ossu, no intuito de impedir a fuga do administrador. Este consegue meter-se num jeep, e com a família e um aspirante timorense, em velocidade e de baixo do fogo dirige-se para Ossu. No dia 8 de manhã, os amotinados depois de se terem apropriado da camioneta da Administração, dirigem-se a Watolari, onde são recebidos pelos amotinados daquele posto. O Tenente Gerso, acompanhado de dois timorenses dirigem-se a Watocarbau onde são igualmente bem recebidos.

Em Díli, as autoridades portuguesas são postas ao corrente dos acontecimentos de Viqueque. São dadas as instruções: controle de comunicações telefónicas, alerta das unidades militares e imediata detenção dos asilados indonésios. Na manhã, da segunda-feira, dia 8, o Encarregado do Governo assiste no campo de aviação de Díli a partida para Baucau de duas secções de atiradores sob o comando dum subalterno. Deram-se ordens aos chefes dos sucos de Baucau, Baguia, Laga e Kelicai para reunirem os homens e patrulharem a sua área com os meios tradicionais (Catanas, azagaias etc.). Ao meio-dia, o administrador de Viqueque Ramos regressa a Viqueque apoiado por uma pequena força: um oficial (Tenente Ferreira), um furriel (Pires) e nove praças. São dadas ordens para se prepararem os arraiais fiéis ao governo. Em Lautém a adesão foi rápida e maciça. Nessa manhã da Segunda, feira, dia 8, são presos dois indonésios na estrada de Ossú. Em Watocarbau e Watolari, os arraiais chegados de Lautém incendeiam as casas, matam indiscriminadamente os supostos revoltosos e praticam a pilhagem. Os povos de Kelicai, Laga e Baguia são compelidos a vigiar as balizas (fronteiras) impedindo a fuga dos habitantes de Watolari e Watocarbau. No dia 8 de Junho é assassinado em Baguia o catequista Carlos Carvalho.

No dia 17 de Junho deu-se o fuzilamento de 7 timorenses junto à ribeira de Ba-Bui, em Watolari, pelo administrador Artur Ramos e Capitão Barreiros (Relatório do Padre Martinho da Costa Lopes, Deputado por Timor). Quanto aos indonésios, um é morto (Jobert Moniaga) e os outros treze são presos e levados para Díli.

Em 22 de Junho, dia da chegada do governador Filipe Themudo Barata, os principais responsáveis estavam capturados. Feitas as averiguações, foram detidos 45 timorenses considerados implicados na revolta. Os presos que foram enviados para Angola: Abel da Costa Belo (guarda-fios, natural de Baucau), José Manuel Duarte (dos serviços de Meterologia, natural de Díli), Amaro Loyola de Jordão Araújo ( 3º oficial da fazenda, aposentado, natural de Díli), António da Costa Soares (chefe da povoação, natural de de Watolari), Alberto Rodrigues Pereira (, compositor de Imprensa Nacional, natural de Liquiçá, Alexandre Viana de Jesus (chefe de suco, natural de Ermera), Amilcar Ribeiro Seixas (ajudante de mecânico, natural de Díli), Agostinho dos Santos, ajudante de motorista, natural de Bobonaro), António Soriano (criado, natural de Aileu), Armindo Amaral, ajudante de motorista, natural de Viqueque), Belarmino Araújo (motorista, natural de Fatubessi), Celestino Um T, Siong (motorista, natural de Venilale), Crispim Borges de Araújo, (motorista, natural de Maubara), Domingos da Conceição Guterres (ajudante de mecânico, natural de Díli), Domingos da Conceição Pereira ( encarregado do posto, de natural de Díli), Domingos Reis Amaral, agricultor, natural de Viqueque), Domingos Soares (ajudante de motorista, natural de Viqueque), Duarte Soares (agricultor, natural de Viqueque), Eduardo de Araújo (agricultor, natural de Letefoho), Eduardo Francisco da Costa ( Pintor, natural de Díli), Fernando Pinto (ajudante do suco, natural de Watocarbau), Francisco Dias da Costa (professor-catequista, natural Aileu), Frederico d Almeida Santos da Costa (grumete, natural de Díli), Germano das Dores Alves( marinheiro da capitania, natural de Díli), João Lisboa (Agricultor, natural Viqueqeu), Joaquim Augusto dos Santos ( Dactilógrafo dos CTT, natural de Liquiça), Joaquim Ferreira ( agricultor, natural de Liquiçá), Jorge Anselmo de Lima Maher( 3º oficial da BNU, natural de Baucau), José Maria Exposto Maia (chefe dos suco, natural de Ermera), José Sarmento (agricultor, natural de Viqueque), José Soares ( pintor, natural de Ermera) Jumang Bin Rachrum ( servente da escola primária, natural de Díli), Lourenço Rodrigues Pereira ( agricultor, natural de Díli), Luís da Cunha Soares Nunes ( empregado da missão de endemias, natural de Oe-silo), Manuel Alim (motorista, natural de Cova lima), Manuel Alves ( Fiel da balança na Alfândega, natural de Díli), Manuel Damas ( ajudante de motorista, natural de Fatubessi), Manuel da Silva ( telefonista dos CTT, natural de Díli), Manuel Freitas da Gama( ajudante de motorista, natural de Baguia), Mário José Henriques Martins ( compositor da Imprensa Nacional, natural de Maçambique), Mateus Sarmento Jordão de Araújo ( dactilógrafo, natural de Díli), Matias Guterres de Sousa (ajudante de enfermeiro, natural de Watolari), Miguel Pinto ( agricultor, natural de Viqueque), Nicodemos dos Reis Amaral ( chefe de povoação, natural de Viqueque), Osman Djuli ( ajudante de mecânico, natural de Díli), Paulo Amaral ( ajudante de motorista, natural de Viqueque), Paulo da Conceição Castro ( Agricultor, natural de Aileu), Paulo da Silva ( chefe de suco, natural de Díli), Salem Bin hamad Basserawan, natural de Díli), Salem Mussalan Sagran (Escriturário Consulado da Indonésia, natural de Díli), Venâncio da Costa Soares (ajudante motorista, natural de Díli), Vicente de Jesus Vidigal ( chefe de suco, natural de Díli) e Vital Ximenes ( trabalhador rural, natural de Díli).

O então Governador de Timor Filipe Themudo Barata considerava estes cinquenta e três timorenses considerados “revoltosos”, contra a soberania portuguesa, e por isso decretou que fossem desterrados para Angola, desembarcando do Vapor “Índia, no porto de Lobito, no dia 26 de Novembro de 1959. Um grupo foi mandado para a cadeia Penal de Bié, e outro para a cadeia em Roçadas. Em Agosto de 1961, um grupo foi enviado para o vale de Limpopo, Moçambique. Em 1963, deu-se a possibilidade aos timorenses de regressarem à sua terra. (cf. O Trabalho do professor Fernando Augusto de Figueiredo, “A Presença Portuguesa em Timor: 1945-1975, Lisboa 2008, pp. 49-67).

Presos levados para a ilha de Ataúro: Zeferino dos Reis Amaral (chefe-do-suco de Luca; Armando Pinto Correia (Catequista);Celestino da Silva (chefe-do-suco de Mata-Hoi); Fernando Soares Amaral(cabo de cipaio em Watolari); Júlio da Costa Amaral (cipaio); João Eanes pascoal (agricultor) (cf. Figueiredo, op. cit. p. 59).

Entretanto, em Julho de 1959, a Vila de Baucau, estava apinhada de presos fortemente vigiados pelos cipaios. Eram os assim chamados “revoltosos” levados de Watolari, Watocarbau e Viqueque. Foram submetidos a trabalhos forçados na limpeza das ruas e do bazar da vila. Alguns estavam presos na garagem da casa do Administrador. Ali eram torturados, pois nós os alunos da escola da Missão, ouvimos perfeitamente, como esses nossos irmãos gritavam e choravam em consequência das pancadas e das chicotadas. Eu próprio ouvia da minha casa, sita em Baú Oli, a dois quilómetros da vila, os gritos lancinantes e desesperados dos presos…

Em consequência da “Revolta de Viqueque”, o Governo reforçou a segurança, abrindo companhias de soldados da primeira linha em Baucau, Lospalos e Ossu. A partir desse período entrou-se em diversas fases de desenvolvimento do território. Mas as sementes de vingança e de revolta iam nascendo e criando raízes nos corações e nas cabeças de alguns timorenses. A “Associação Popular Democrática para a Integração de Timor na Indonésia”, não apareceu por acaso e não caiu do céu…O aparecimento do partido Apodeti teve as suas causas remotas nos acontecimentos de 1959. A Apodeti tornou-se o “lugar apropriado”, onde muitos dos descendentes dos “revoltosos” de 1959, puderam concretizar as suas aspirações pela liberdade, justiça, respeito e, em certo sentido, independência ou “kemerdakaan”…

A todos aqueles que perderam a vida por causa da assim chamada “Revolta de 1959”, eu, como timorense que testemunhou a violência física e psíquica a que foram submetidos, na minha vila de Baucau, porque os meus olhos viram e os meus ouvidos ouviram, inclino a minha cabeça, em sinal de respeito e de solidariedade. Em certa medida, tomo a liberdade de afirmar: “merekapun telah memberikan kontribusi kepada Kemerdakaan Tanah Air Timor Timur…Bagi mereka, hormat dan doa saya!”

Porto, 5 de Junho de 2009.

Thursday, 4 June 2009

Hakerek Nain Nebe Nunka Bele Halai Hosi Nia Hanoin Rasik (2)

Inosenti

Kuandu ita ema iha poder absoluto iha liman, ita nunka hakarak atu assumi kualker erro. Maibe, kuandu erro ida mosu derepenti iha ita nia oin, ita tenta atu halo nakukun ema seluk nia hanoin ou kakutak. Ita buka salva ita nia-an hodi hasai lia fuan oi-oin hodi bele salva ita nia-an rasik ou ita nia familia rasik ou maun-alin rasik. Primeiru, ita sei dehan katak ita ema inosenti -alias- ita laos ema sala nain ou ita nunka halo sala. Ita sei halo buat hotu-hotu hodi bele taka (cover) ita nia sala. Ita tenta uza sistema hotu-hotu hodi bele taka sala nebe ita halo tiha ona. Segundo, ita sei hakas-an atu domina sistema hotu hodi nune bele fo’o apoio ba ita.

Ita sei koalia ho matan momos (ho matan fuan mean) katak ita ema inosenti. Ita sei haraik-an hodi ema seluk bele fiar katak ita ema inosenti duni. Ita sei hateten ba ema seluk katak ita ne’e ema ida nebe buka aprende ho sala nebe mosu loro-loron.

Timor Leste, oras ne’e rejistu buat foun barak. Fenomena oi-oin maka mosu iha ita ema nia moris loro-loron. Buat foun barak maka mosu. Ema balun buka aprende ho buat foun, ema balun buka halimar nafatin ho buat foun. Ema balun “cuek” ho buat foun sira ne’e.

Iha ita nia moris nudar família bele dehan katak buat hotu lao diak ou lao normal. Ida ne’e tamba ita nia inan-aman la hatene saida makaKKN, Hammer, tender, seluk-seluk tan. Bele dehan katak ita nia inan-aman hanorin ita ho moral, ho sakrifisiu oi-oin. Bainhira ita koloka-an iha sociedadi ida nia laran, ita komesa hasoru realidadi foun ou oin seluk. Bainhira mosu ona osan iha ita nia moris, bele dehan katak ita haluha buat hotu. Osan bele halo ita haluha ita nia-an rasik, maluk rasik, fen ho lain bele soe malu, oan sira bele abandona inan-aman. Osan bele halo ita ema oho malun.

Osan bele halo ita inventa historia tun sae hodi bele moris ba nafatin ou hodi bele hetan nafatin fama iha sociedadi nia laran. Por exemplo: Uluk, kuandu ita hotu-hotu sei moris pás-pasan, ita hare malu hanesan maun-alin. Uluk, kuandu ita seidauk hatene saida maka naran Hammer, ita sei moris ho prinsipiu “a’at ita hotu nian, diak ita sei senti hamutuk”. Uluk, kuandu ita sei moris susar, ita sei respeitu amu lulik sira. Maibe, kuandu ita senti ita nia banku komesa nakonu ona ho osan, entaun ita komesa hare malu hanesan inimigu. Ita “tidak mau tahu” ema seluk nia direitu ou ema seluk nia problema ou ema seluk nia moris. Apalagi ita senti katak sistema nebe ita moris bá sei fo’o apoio ba ita, entaun ita sei halo buat hotu-hotu semau gue.

Hau iha serteza katak se karik ita kontinua moris ho mentalidadi hanesan ne'e, entaun ita nunka bele sai ema diak ou ema perfeitu iha ita nia moris. Buat nebe maka ita koalia ba sociedadi, apenas atu salva ita nia fama iha sociedadi nia laran. Tamba, de faktu, iha realidadi, ita sei moris hanesan ema primitivu iha mundu modernu. Tamba saida maka hau dehan nune? Tamba, de faktu, iha realidadi ita kontinua baku malun, ódio malun, inveja malun, laran moras ba malun, la respeitu malun, la iha tempu ba ita nia família, nunka rekonhese ita nia sala, etc….

Ohin loron, ita orgulhu lori titulo oi-oin iha sociedadi nia laran hanesan ministrus, ministras, deputadus, deputadas, seluk-seluk tan. Maibe, iha realidadi, ita nia família sei moris rungu ranga. Ita kontinua kria desigualdadi iha sociedadi nia moris, etc…

Ne’e duni, kuandu imi dehan imi ema inosenti entaun hau sempre hateten ba hau nia-an rasik katak hau maka sala. Hau sala nain.

Fim

Tuesday, 2 June 2009

Hakerek Nain Nebe Nunka Bele Halai Hosi Nia Hanoin Rasik (1)

Hau nia kuartu kiik liu atu bele akumula hotu hau nia hanoin. Kada vez hanoin ida mosu iha hau nia ulun, hau senti kuartu nebe hau uza hodi toba la aguenta hau nia hanoin. Hau bok-an ba los, bok-an ba karuk, hau senti hau nia-an kiik derepenti, folin laiha derepenti. Lilin nia is nebe hau sunu kalan no loron hodi hasa’e harohan ba Aman Maromak, sei sai hanesan testemunhã iha hau nia moris.

Iha Timor Leste, ohin loron, ita sei kontinua uza “apelido” hanesan bandeira ida hodi bele hetan servisu no projektu. Ema nebe maka iha apelido konhesidu iha sociedade nia le’et, nia maka sei hetan liu servisu ou projektu. Ema nebe maka laiha apelido konhesidu iha sociedade nia le’et, nia sei difisil hetan servisu no projektu. Ema barak maka, mesmu konhesimentu akademiku laiha, maibe tamba nia família konhesida iha sociedade nia laran, entaun ho fasil nia hetan servisu no projektu.

Ne’e realidade ida nebe oras ne’e dau-daun mosu iha Timor. Ne’e hanoin ida nebe oras ne'e dau-daun mosu iha hau nia ulun. Maibe, hau sei la hakerek tamba hau tauk. Hau tauk lakon hau nia poder! Hau tauk lakon hau nia naran (fama)! Hau tauk lakon hau nia projektu! Hau tauk lakon hau nia servisu! Hau tauk lakon hau nia osan! Se hau kontinua hakerek, iha loron ida ema sei kaer buat nebe maka hau hakerek hodi akuza filafali hau-an. Maibe, ba Timor nia diak hau sei kontinua hakerek. Hau sei soe tiha tauk hodi habrani-an atu kontinua hakerek. Tamba hodi hakerek bele muda ema nia mentalidadi ou lalaok.

Iha hau nia perkursu literariu, hau hare hau-an rasik hanesan referensia ida hodi bele hakerek konaba ema seluk ou buat seluk. Hahalok hanesan ne'e provoka intrepretasaun oi-oin iha hau nia moris.

Iha kazu barak maka sai hanesan referensia konaba justisa laiha, korupsaun maka’as no hau hare katak ema sira nebe foti-an hanesan polítiku, sira rasik maka kontinua kria konfuzaun iha povo nia moris. Por exemplo: ohin dehan sei laiha marcha da paz no sei laiha eleisaun antesipada. Maibe, aban mosu fali deklarasaun politika iha imprensa katak marcha da paz sei halo no eleisaun antesipada sei mosu iha tempu badak. Buat hanesan ne’e maka kria konfuzaun iha povo nia moris. To'o ikus, ema politiku sira kontinua moris diak i povo maka sei mate ba bei-beik.

Konaba Timor, hau buka referensia barak iha Internet hodi hakerek. Ohin loron, grasa hosi teknolojia, hau bele hakerek buat barak sem lao sai hosi hau nia uma. Timor Leste moris iha sekulu pos-modernu ne’e duni presija hetan sistema governu ida forte. Atu sistema governu sai forte presija kria duni sistema seguransa no ekonomia ida diak no forte. Se la halo hanesan ne’e, Timor Leste nunka hamrik metin hanesan Estado ida forte i independenti.

Ema Timor konhesidu hanesan ema lutador. Maibe barak sei moris ho karakter hanesan ema primitivu iha mundu modernu. Iha hau nia perkursu haeesan ema lao rai, hau sempre buka haré hau nia-an rasik hanesan ema primitivu nebe moris iha mundu modernu. Hau tenta halo kombinasaun entre hau nia-an rasik ho realidadi foun ou ho mundu foun. Laos fasil. Klaru.

Ohin loron laos susar atu ita koalia konaba Timor. Tinan 30 liu bá, ita hotu-hotu sei koalia konaba sofrimentus, kanek, susar, mate, mate no mate. Tinan 30 liu bá, ita seidauk hatene konaba Internet nebe bele dada besik informasaun oi-oin iha mundu ida ne’e konaba Timor. Tinan 30 liu bá, susar tebe-tebes atu ita hetan relatoriu diak ida konaba Timor. Tinan 30 liu bá, ita seidauk hanoin atu halo moris labarik sira nebe ohin loron ho fasil uza komputador. Tinan 30 liu bá, tamba ita sei interesse liu halo funu nebe ema balun bolu funu ho dalan pasivu maibe balun bolu funu ho dalan violentu, entaun ita la interesse ho ita nia estudu rasik. Tinan 30 liu bá, laiha ema ida maka fo atensaun ba nia família rasik; nia lain ka fen, inan no aman, oan sira, estudu, uma no seluk tan. Nein ema ida. Klaru. Tinan 30 liu bá, ita buka malun hodi halibur malun atu haksesuk konaba oinsa ita atu halo funu, laos halibur malun atu koalia konaba oan sira nia futuru ou oinsa maka labarik sira nia moris loro-loron. Tinan 30 liu bá, seidauk iha ema ida maka hanoin atu sosa kareta ida ho marka Hammer. Tinan 30 liu bá, ita sei moris rungu ranga.

Ohin loron, funu hotu ona maibe ita sei kontinua moris ho memoria funu nian.

Ohin loron, hau hare katak ferik no katuas sira dehan ba labarik sira nune: se imi maka moris iha ami nia tempu lahatene imi bele moris duni ka lae. Tamba iha ami nia tempu, moris laos fasil hanesan oras ida ne’e. Maibe, ohin loron se los maka hakarak fo interesse hodi rona lia fuan sira hanesan ne’e? Maibe, tinan 30 liu bá, ferik katuas sira kuandu koalia, labarik sira tenki rona. Tinan 30 liu bá, Igreja Katolika Timor sei nakonu ho sarani sira nebe hatudu sira nia fiar ba Jesus Kristu. Tinan 30 liu bá, ema ida seidauk koalia konaba abortu iha Igreja Katoliku Timor nia laran. Tinan 30 liu bá, bispo, padre no madre sira kuandu lao iha dalan ninin, sarani sira sei hadau malun atu rei liman.

Ohin loron, kuandu ita túúr iha gabinete diak ida ou sekretaria diak ida nia oin kompletu ho AC, komputador ida, telemóvel diak ida no kareta Hammer ida, bele dehan katak ita haluha hotu ita nia-an rasik. Ita senti katak ita iha poder absoluto. Kuandu ita iha ona poder absoluto, ita sei haluha ita nia maluk hotu. Ita sei haluha lei nebe tuir lolos bele hadia ita nia moris. Ita sei haluha lei nebe bele hadia ita nia sociedadi. Ita hanoin katak ita maka lei.
Ohin loron, kuandu ita halo tiha juramentu, hafoin jornais no televisaun komesa koalia konaba ita nia figura, ema barak komesa hatudu sira nia respeitu mai ita, ita nia vaidadi mós komesa mosu ona.

Dala barak ou barak liu maka ita hakarak atu ema seluk moris tuir lei maibe ita rasik la konsege moris tuir lei. Dala barak maka ita koalia konaba violensia domestika maibe ita rasik maka prátika violensia domestika iha ita nia uma laran. Tamba, desde prinsipiu ita hanoin katak ita maka lei entaun violensia domestika nebe ita halo (ho kamuflade) ita sei hateten katak ida ne’e laos violensia domestika.

Agora, kuandu ita koalia konaba historia hosi tinan 30 liu bá, ema seluk sei dehan nune: se maka haruka atu o mete iha funu nia laran.

fim