My photo
Um escritor, um poeta, um aventureiro,

Sunday, 15 November 2009

“UMA RELÍQUIA” PARA TIMOR


.

Odília Gouveia – Jornal da Madeira – 14 Novembro 2009

O livro “Gentio de Timor”, cuja reedição foi lançada ontem no Centro Cívico do Estreito de Câmara de Lobos, é segundo D. Ximenes Belo, «uma relíquia» para o povo timorense. A obra monográfica foi escrita na década de 30 pelo madeirense Armando Pinto Corrêa, que o Nobel da Paz considera ter sido «um herói para o povo de Baucau», realçando, entre outras qualidades, o seu carácter humanista.

Armando Pinto Corrêa nasceu em 1897 no Estreito de Câmara de Lobos e, entre 1928 e 1934, foi administrador da Circunscrição Civil de Baucau. Em 1935, publicou “Gentio de Timor”, uma monografia sobre os usos e costumes de Timor-Leste.

Passados setenta e cinco anos, a obra é agora reeditada na Madeira, através da Câmara Municipal de Câmara de Lobos (Município da Cultura 2009) e da Associação de Escritores da Madeira.

Ontem, na cerimónia de lançamento da publicação, D. Ximenes Belo, que assina o prefácio, classificou “Gentio de Timor” de «uma relíquia» para o povo timorense.

A sua reedição, referiu o Nobel da Paz 2006, vem preencher uma lacuna no Ensino em Timor, na medida em que «alguns estudantes procuraram o livro em vão nas bibliotecas das universidades e nas das câmaras municipais» . «Os timorenses continuam à procura da sua verdadeira identidade», no seu substrato antropológico, etnográfico, linguístico, cultural e religioso. “Gentio de Timor” constitui uma obra de “charneira” neste campo. Daí o seu inigualável valor e a sua tremenda actualidade», frisou.

Neste âmbito, considerou o Bispo Emérito de Díli, o madeirense Armando Pinto Côrrea é «um herói para o povo de Baucau, um homem da paz e um grande benfeitor», no desenvolvimento social, cultural e humano de Timor. D. Ximenes Belo destaca, entre outras, as áreas da Educação (construiu sete escolas) e a da Agricultura (implementou o sistema de canais de irrigação).

Por sua vez, o secretário regional de Educação e Cultura, Francisco Fernandes, enalteceu o legado deixado pelo Coronel Armando Pinto Corrêa, salientando que «as palavras escritas são uma forma de se perpetuar a história».

Refira-se que o único exemplar de “Gentio de Timor” encontrava-se na Biblioteca Regional da Madeira (tutelada pela Direcção Regional dos Assuntos Culturais). A revisão dos textos esteve a cargo de João Luís Rodrigues Gonçalves e Urbelino José Ribeiro Ferreira. Note-se que Timor-Leste tem mais de 20 dialectos locais, daí ter sido feitas adaptações da grafia do português do início do século XX para o actual.

A segunda edição de “Gentio de Timor” conta com uma tiragem de 1.000 exemplares.

O lançamento da obra, ontem à tarde, assinalou o ponto alto do primeiro de dois dias do IV Fórum da Associação de Escritores da Madeira.

No comments:

Post a Comment