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Sunday, 19 July 2009

Estreia mundial de filme sobre os cinco de Balibó



A estreia mundial do filme Balibó, que retrata um dos episódios mais dramáticos dos primórdios da invasão de Timor-Leste pela Indonésia, em 1975, vai ser a 24 de Julho, na inauguração do Festival Internacional de Cinema de Melbourne.

O Presidente timorense, José Ramos-Horta, é o convidado de honra desta estreia. Sentar-se-á ao lado dos actores australianos Anthony LaPaglia, Gyton Grantley e Nathan Phillips, para assistir à projecção deste thriller político.

Dirigido por Robert Connoly, o filme conta a forma como dois jornalistas australianos, um neo-zelandês e dois britânicos foram mortos por tropas indonésias na zona de Balibó, distrito de Bobonaro, na fronteira de Timor-Leste com o Timor indonésio. Balibó, que tem 90 minutos de duração, é contado pelos olhos de outro jornalista australiano, Roger East (LaPaglia), que chegou ao território para investigar a morte dos demais, e que acabou, também ele, assassinado pelos militares indonésios.

Roger East foi chamado a Timor-Leste pelo então jovem activista José Ramos-Horta, aqui interpretado pelo actor guatemalteco Oscar Isaac, de 29 anos, que em 2005 terminou o curso da Julliard School, em Nova Iorque.

Numa das sequências do filme, Ramos-Horta, que tinha 25 anos, dá a East um dossier com documentos secretos que a Austrália não gostaria que fossem divulgados - as autoridades de Camberra sabiam que a Indonésia ia invadir Timor-Leste, sem que tenham feito nada para o impedir.

As tropas indonésias, nas suas primeiras incursões em solo que então era formalmente português, justificaram o assassínio dos jornalistas da Austrália, do Reino Unido e da Nova Zelândia por serem "comunistas", simpatizantes da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin).

Mas a maior parte dos historiadores crê que os jornalistas anglófonos foram mortos para não revelarem ao mundo que a Indonésia começara a invadir uma colónia portuguesa na Oceânia.

Um dos responsáveis pelas execuções, o capitão Yunus Yosfiah, viria a ser ministro indonésio da Informação em 1998 e 1999, apesar de entretanto também ter sido acusado de, em 1978, ter morto o então líder da Fretilin, Nicolau dos Reis Lobato. Jorge Heitor/PÚBLICO



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